Saudade de ficar por aqui....
Se eu pudesse, não largava a caneta (digo, teclado) e o blog. O "primeiro passo" de 2013 me tirou completamente dos (re) cantos sociais. Isso me incomoda muito, mas ainda não posso me dedicar ao blog como quero. Espero que os espaços/ tempo surjam nesse 2013 cheio de desafios e novidades que estão por vir. Aliás, já chegaram.
Se o tempo continua escasso, as idéias, por outro lado, fervilham. E em tão pouco tempo, as histórias, todas elas vivenciadas no cotidiano escolar me fazem acreditar nessa inclusão que muitos não creem ou aceitam. Entendo que nossas escolas precisam ser estruturadas, professores capacitados, pesquisas realizadas, materiais e recursos adquiridos. Mas o que mais me incomoda é a capacidade (ou incapacidade) do ser humano banalizar o sentimento de cuidado com o outro, o aprender junto, aprender com. O amor esfriou?
Algumas coisas ainda me chocam, coisas que vejo e ouço por aí . Há casos e casos e me esforço para compreende-los dentro de cada contexto. Mas a falta de humanidade e honestidade ainda me machucam muito. Fica aquela sensação de impunidade, de agressão velada. Cada uma dessas vidas que passam pela mão de um professor é um pequeno pedaço de esperança, e cada um de nossos esforços são recompensados com os avanços, sejam pequenos ou significativos. Então, não desistir do outro se torna um dos maiores objetivos, ou como costumo dizer, regra de fé e prática. É isso que me faz acreditar incansavelmente nas potencialidades e na necessidade real que cada indivíduo tem para a sua vida.
Quando passei a estudar o TGD e o autismo (no início, por minha conta e risco, depois na especialização) comecei a compreender muita coisa que antes os meus olhos não podiam ver. Por exemplo, não conseguia entender o comportamento de um aluno que andava disperso pelos corredores. Uma conversa informal não despertava interesse naquele menino, porém, o mesmo era atento, vivo aos pequenos detalhes que para mim eram invisíveis. Ao utilizar o computador, apelidava um certo jogo de "enigma egípicio". Só algum tempo depois atentei para o detalhe de uma esfinge ao fundo no software (era um simples jogo no qual a pessoa exercita a digitação no teclado, bem simples mesmo).
Ao se deparar comigo nos corredores me chamava de veterana.. "Veterana, você já ligou os computadores hoje?". Eu achava engraçado, ele nunca me chamava pelo nome, Vanessa. Mas me deixava intrigada...
Ao se deparar comigo nos corredores me chamava de veterana.. "Veterana, você já ligou os computadores hoje?". Eu achava engraçado, ele nunca me chamava pelo nome, Vanessa. Mas me deixava intrigada...
Quando comecei a ler sobre o autismo a fundo, vi alguns casos mais específicos, mas complexos e em algum momento falou-se na Síndrome de Asperger. Eu já estava estudando sobre ela na especialização, o que me deixou fascinada! Nessa época eu recebi na SR um aluno com suspeita de SA. Eu o observava e era nítido para mim que eu estava diante de um aspie.
Nessa época, o nosso outro aluno (digo nosso porque oficialmente ele nunca foi meu, ele é aluno do outro turno) parou de me chamar por "veterana". Fui promovida a "Astrônoma com formação em homo sapiens".
Continuo daqui a pouco, rs.