terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Licença poética para um sorriso: " É que eu começo como termino..."




                Canção, liberdade, vida? Não, apenas um  passarinhozinho que caiu do ninho e adotou a gente por uns dias.



Então... peço licença para escrever com aquele sorriso sentiiiiiiiiido que só as muitas Nessas sabem sorrir.

Os dias de 2013 estavam tão ligeiros  (como sempre, acelerados) e quando vi, resolveram estacionar. Outubro grande, novembro longo, dezembro que não acabava. Ventos, chuvas, cores nem tão alegres. Mas estamos aqui, novamente, neste mesmo bloguinho querido, com aquela vontade de abraço de sempre, vontade continuar sonhando para escrever a história com as sete cores.

Preciso vir aqui, mesmo com o sorriso meio tímido, para compartilhar as coisas boas deste finalzinho de 2013. Sim, houve muita coisa boa no meio do cinza.  E quando não havia coisa boa eu inventava. Porque se for para chorar que seja de felicidade...

Minha mãe por muitos anos, no decorrer do dia 31 de dezembro, descrevia diversas vezes o "velhinho" que ia embora e  dava lugar ao "novo". Mais ou menos assim: " Olha, 2013 está indo embora, velhinho e vem chegando 2014, um bebezinho, novinho." Lembranças. Então, vou dar um abraço no 2013 que nos deixa. Mas com um recado: Você trouxe muitas surpresas gostosas. Mas foi um tanto malvado. Te perdoo.
 E você, 2014, te comporta, guri. Se não os parcos neurônios não aguentam e você vai acabar indo para o quarto escuro (nossa, que medo!).Rsrs.


Felicidades em 2014 para  quem está aqui comigo lendo e sonhando junto. Amor para quem sabe amar (e também para aqueles que não sabem). Ética, honestidade, respeito, solidariedade. Saúde para todos nós.

Mas, sem Vinícius, o de Moraes, eu não sou Nessa. Poesia rapidinha . Depois das rabanadas, do calorão  e da tempestade, um canal humilde da tv aberta passava um especial "Vinícius e Mulheres". Presentão. Então, começo como termino. Ou termino como começo, com as cores, com a vida, com os sonhos e também com o amor que me auxilia no  malabarismo com as palavras.

Eu sou inteira. Sou amor, saudade, esperança, força, sorriso, cores.
Me deito nas cores/  nelas, sou mais feliz.

FELIZ 2014!





sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Hoje, sem palavras...






"Qual a maior razão da vida além de olhar para os "lados" e ver GENTE ao meu redor? Eu sou absolutamente fascinado pela felicidade. Ser feliz com a felicidade alheia é tudo de bom. Sei que terei que aturar vocês pela minha vida. Tenho que dar um jeito disso me dar alguma satisfação (E.A.)."






quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ao amigo Emílio Luiz Pedroso Araújo



A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida (Vinícius de Moraes).





Dignidade: cada um tem aquilo que sua história constrói (Marcelo Freixo).


Eu poderia  escrever somente uma música, uma poesia, um verso, algo que representasse o que sinto agora. Poderia reproduzir aqui várias conversas engraçadas e outras muito formais, mensagens daquelas que sem querer param na lixeira da conta de email e você descobre muito, muito tempo depois e chora e ri ao mesmo tempo. Poderia escrever horas e horas sobre os fóruns do antigo Orkut: professores fortalecendo laços através das redes sociais, as sessões de terapia online... Muitas gargalhadas, uma sala de bate papo com direito à enquete e tudo! As apostas! Quando cai o pagamento? Quando sai o enquadramento? Poderia também falar da dor que fica, da saudade que aperta a garganta e o peito. Do choro que explode quando você recebe uma notícia e não acredita, ou não quer acreditar. Eu não sei lidar com isso. Perdas são muito dolorosas, todas elas. Ainda sou apaixonada por "gente", e cuido daqueles que amo. Os amigos queridos que tenho, talvez não muitos, estão guardados e protegidos num lugar muito especial. É visceral, por inteiro.

Sem palavras. 
Mas me esforço para escrever.

Fica a certeza que a educação perde um apaixonado que plantou belas sementes! Fica a certeza que o Clássico Vovô-Fluminense e Botafogo- será muito triste por um tempo que eu não consigo dimensionar. Para ser mais cruel, ontem Flu e Botafogo jogaram -e empataram. Não chegou nenhum email me xingando por conta do apito amigo, achei estranho. "Timeco de estrelas, frufru, Unimed Futebol Club",  as ofensas mais infames registradas em alguns anos de emails que me arrancavam os "parcos neurônios". Nem sempre esses emails eram tão bem vindos assim, é verdade. Mas também faziam pensar, quando falavam das paixões (educação, família-os "pequenos" filhotes-, Casillero, política, o Glorioso, Neruda, cupuaçu).

Brincava com as cores, brigava com a certeza que sairia vencedor. Poucas vezes travei lutas com ele, pois eu já entrava na briga com muitos pontos a menos...

Não consigo escrever mais...
Para quem não compreende a saudade que fica, pense numa pessoa ENORME num corpo de 1.60 que não cabia tanta inteligência, a disponibilidade para ajudar os outros e amor por um ideal. Um cara insuportavelmente simples! Emílio Araújo. Para ele, para os seus e para aqueles que o admiram, mesmo que não presente fisicamente, aplausos!

A você, amigo, parte do email  que  enviei ontem e infelizmente não terei resposta.

“Vc deve estar envolvido nisso tudo, pq sei que vc ama tudo isso. VC é ISSO tudo.
Cuida dessa gente toda, mas também de você. Beijo, sempre.“



Emílio Araújo, presente!

Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo
adeus.

Pablo Neruda



"Te cuida."

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Mode on sobrevivência!





Então...
A pessoa que vos escreve anda mais devagar do que tudo, apesar da constante correria. Frase contraditória, mas no momento estou assim: doce e ácido na mesma porção. Signores, bom apetite!

Mode on sobrevivência
As idéias fervem! O acumulado transborda!  O trabalho (des) acumula e quando você olha...  outubro chegando!
Os pequenos da SR vem produzindo mais e mais e a cada dia avançamos um degrau. Paciência, esforço, dedicação, compromisso. O autismo ainda é o cerne, mas a pós anda enlouquecendo os meus parcos neurônios (é isso mesmo, buenos dias, muchacho). 
Vou tentar atualizar mais vezes esse canto pois nesse ritmo lento das postagens o blog termina antes de começar.

É isso. Se você chegou até aqui puxa uma cadeira e vem prosear. Eu vou escrevendo enquanto posso. A gente vai levando, indo e vindo, rindo e quando necessário chorando um pouco, nem que seja de felicidade. Vida de verdade.

A vida é pra valer, a vida é pra levar, assim diz o poeta. 

E a Barbie versão equilibrista da foto é obra da filha sapeca. Que amor!





Vi-vendo Vinícius, o de Moraes

As fotos que eu tenho tanta preguiça de postar, até que enfim!

Atividades realizadas no primeiro semestre de 2013 na Sala de Recursos Multifuncionais!
"Onde anda você, poetinha? Saudade mandou te buscar!"

Espero conseguir voltar e colocar uma descrição decente nos posts. :)


  















Essas gracinhas representam a poesia AS FORMIGAS e já fazem parte do segundo semestre. E que venham os girassóis!







quarta-feira, 12 de junho de 2013

Palavras...

Palavras que abraçam.
Sorriso que acolhe.
Coisas simples.
Só isso.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Astrônoma, mimada e Du Moscovis II

"Se eu pudesse por um dia, esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria, se  pudesse esse amor por um dia..."
                                                                         Tom Jobim

Trilha sonora do menino brilhante  que me apelidou de "Astrônoma com formação em homo sapiens". 


Astrônoma com formação em homo sapiens. Estranho apelido? Para quem era chamada de veterana, nem tanto. Eu percebia que o menino, já um rapazinho, gostava de apelidar coisas e pessoas. Havia uma professora que era chamada de "exuberante", por conta de sua beleza e simpatia, além dos aspectos afetivos que certamente a embelezavam ainda mais. Duas professoras grávidas tinham seus respectivos filhos apelidados de Natércio e Frau Herta, creio eu pelo fascínio que o menino tem por novelas e televisão. As histórias, os "causos", sempre contextualizados ao mundo real/fictício da TV. Com o tempo, não precisei fazer muito esforço para entender sua linguagem ou forma peculiar de dizer o que sentia. Ficava claro que os sentimentos eram explícitos, vivenciados e demonstrados a todo instante. Estava ali, eram os olhos alheios que estavam fechados.

Meu primeiro contato significativo com P.R. (vou chamá-lo assim durante os posts) foi durante o atendimento na Sala de Recursos. No recreio dele, passava uns minutinhos na minha sala. Eu roubava um beijo no rosto e ele utilizava meu netbook para realizar rápidas pesquisas (novelas, músicas, imagens de atrizes da Rede Record). O início desse vínculo começou num dia em que P.R. entrou na SR e pediu uma revista para folhear. De repente, começou a cantar a música A filha do seu Faceta, muito conhecida...  Didi e Zacarias (Renato Aragão e Mauro Gonçalves) cantam a música com muita graça e ironia (aqui: http://letras.mus.br/os-trapalhoes/1302076/). P.R. foi além: substituiu algumas profissões por outras, criando sua própria paródia. Eis que no decorrer da música eu já cantava junto, afinal, sou uma autêntica criatura dos anos 80. Porém, no final, o menino pediu para parar tudo:
-Você não canta o Ney Matogrosso, canta Du Moscovis!
Na força do momento eu nem questionei! Queria ganhar a confiança do menino, cantei o trecho substituindo por  Du Moscovis e assim criamos um novo fim.

As semanas foram passando, me agarrei a linguagem musical do menino e aos seus interesses que agora já eram meus também. Vínculo formado. Foi assim que um dia, ao olhar a foto da minha filha  P.R. perguntou se ela estava bem. Na verdade não estava... Com a mudança do tempo, minha filha estava febril em casa com sinusite.

Dias depois, P.R. entra na minha sala e dispara:
-Como está a nossa mimada? Ainda se encontra acamada no leito?

Essa linguagem rebuscada cheia de os-as-lhes me fascinava! Prontamente respondi que minha filha não estava acamada ou no leito, já se encontrava melhor, pois havia sido medicada. 
-O Du Moscovis vai vir buscar você hoje?
Ahh,  ficou claro quem era Du Moscovis. Meu digníssimo cônjuge, vulgo marido (Jr). Então, o homem lobisomem não era o Ney Matogrosso e sim, Jr, batizado espontaneamente de Eduardo Moscovis. Vanessa, a Astrônoma, Lalá, a "mimada" e  Jr, o Du. Família!

Após esse episódio, as conversas sempre giravam sobre os centros de interesse do menino.  A modelo que apareceu na novela das 9h, o filme e os personagens que se misturavam ao cotidiano. Um dia, me perguntou se eu conhecia o tal de Vinícius de Moraes, o poeta. Achei curioso, pensei: "Ele está me observando o tempo todo, sempre tenho uma coisa ou outra aberta no computador sobre MPB".

Interessante que um aluno meu de quem falarei aqui no Borboleta Aspie ainda é curioso quanto ao meu amor por MPB. Várias vezes me perguntou sobre a minha preferência por MPB. Mas esse é para outra postagem.

Comecei a mostrar algo de VM e Toquinho para ele. No início pensei até que estivesse sendo chata, mas vi que havia me equivocado. Ele gostava! Conhecia as aberturas das novelas de Manoel Carlos!

Certo dia, P.R. pediu para acessar o YouTube. Ele não procurou as novelas da Record. Escreveu Vinícius de Moraes e em seguida "Por amor". Com a busca um pouco confusa apareceram cenas, trechos da novela de Manoel Carlos. Depois vimos outras aberturas de novela (Mulheres Apaixonadas, Viver a vida).
Naquele dia, P.R. parecia nervoso, agitado. Perguntei se ele queria cantar a música. Recebi a seguinte resposta:
-Quando eu voltar aqui, sexta-feira, vamos cantar essa música.
Não lembro exatamente o motivo, mas ele não apareceu por alguns dias. A correria durante o atendimento  na SR não me deixou falar nada quando P.R. entrou rapidamente , puxou o netbook, abriu o respectivo vídeo e começou a cantar Falando de amor, do Tom Jobim. Ele me olhava e repetia: "Combinamos cantar e assistir a abertura de Por amor". De mãos dadas, P.R. e eu cantamos juntos o trecho da abertura:


Se eu pudesse por um dia
Esse amor essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia

Chega perto 
Vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro-canção

Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro teu jeito de flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor

Chora flauta chora pinho
Choro eu o teu cantor
Chora manso bem baixinho
Nesse choro falando de amor

Link: http://www.vagalume.com.br/tom-jobim/falando-de-amor.html#ixzz2V75Vj2B1



A música não precisa ser explicada, basta ser sentida. Após cantá-la duas, três vezes, gravamos improvisadamente no celular, com a permissão do mesmo. Tempos depois presentei a mãe de P.R. com a gravação em cd. Segundo a mãe, a avó do menino se emocionou com a gravação pois ainda não tinha ouvido P.R. cantar, assim como ela mesma...

"Lá no fundo do meu coração..." 

:)



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Amor, sonhos, planos, ações!

"Tudo tem origem nos sonhos. Primeiros sonhamos, depois fazemos."

                                        Monteiro Lobato

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Licença poética: um segundo para Vininha

Depois da filha dar aquele susto (filha doente, Vanessa off) eu consegui aparecer por aqui. Ela está melhor-e eu também.  Apesar do cansaço e falta de tempo (sempre o tempo, sempre o tempo) continuo disposta a vir aqui com frequência para  escrever, compartilhar as cores da alegria. 
Estou aqui digitando e ouvindo a Vanessa da Mata (que não sou eu) cantar Jobim e de quebra Vinícius de Moraes no Programa do Jô. Nem gosto tanto do programa dele que às vezes é impróprio para menores de 30 anos, hehe. Mas hoje a televisão ficou ligada e eu repassando a minha paixão pelo poetinha. Eu poderia até dizer que não sei de onde veio essa paixão que eu tenho por essas coisas. Mas EU CREIO que isso vem de um tempo muito, muito, muito antigo. Palpite:  "barriga da mamãe".
Acho que o tal de Vininha me perseguia. Lembro de minha mãe cantando "Eu não existo sem você", isso quando eu era bem pequena mesmo. Ela também  arriscava Águas de Março no violão, a introdução, se não me engano. Dessa época  ficou a lembrança da foto da Amelinha, ex-Zé Ramalho, capa de uma fita K 7 (Super Anos 80). Claro, a clássica Foi Deus que fez você, a preferida. Mas não só ela. Eu tinha um carinho pela Valsinha, do Chico e do Vinícius, na fita cantada pela Amelinha e Toquinho. Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar... Amelinha até ganhou poesia do Vininha: “Vá jandaiazinha, abra as asas, alce vôo, voe bem alto e cante tudo por aí afora, porque você canta lindo."
Em outra postagem, falei sobre a minha infância. Descrevi os programas educativos, os discos de história, as músicas de Bia Bedran no Canta Conto e Daniel Azulay. Dos discos? Nenhum do Vinícius. Mas... na Coleção TABA havia uma história do Joel Rufino, Marinho, o marinheiro, que guardou uma surpresa para toda a vida, uma canção que contava com a parceria de Baden Powel e o de Moraes. Qual foi minha surpresa quando vi que a música que eu cantei duzentas (mil) vezes era dele também? E isso eu descobri um dia desses no site www.viniciusdemoraes.com.br.

Não parou por aí.  As provas no colégio, poesias, trechos de músicas da Arca de Noé 1 e 2/Vinicius para crianças. Festival de poesia na escola,  adivinhe qual  música que abria o evento: Gente Humilde, do Chico Buarque e Vininha. Eu ficava nos ensaios ouvindo e assistindo o casal que faria o dueto, fascinada. Tinha quinze anos. 

Eis que a vida achava que era pouco, o cônjuge (vulgo marido) faz aniversário no dia do aniversário do poeta. Coincidências... 

Vinícius faleceu em julho de 1980, antes que eu nascesse. Podia ter esperado um pouquinho. Mas para mim, nem parece que não está aprontando por aí.. Ele está vivo, assim como sua música  e poesia. Qualidade, defeitos, polêmicas, coração e emoção nas letras e atitudes.
Poeta, meu poeta camarada... se todos fossem iguais a você...

"Tudo na mais perfeita ordem, tudo na mais santa paz."

:)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dia Mundial de Conscientização do Autismo-02 de abril

Desde 2011, os dias 2 de abril e 18 de junho (Dia do Orgulho Autista) passaram a fazer parte da minha vida. Momento de reflexão, troca de idéias, conscientização. De rir e chorar com as histórias que encontramos por aí e que ficam escondidas, recolhidas. Para mim, foram essas histórias que fizeram diferença. Convivendo com o autismo e com pessoas apaixonadas por ele aprendi esse amor maior que abre caminhos inexplicáveis. Esse sentimento imensurável, como o amor materno, que não nos permite desistir, mesmo quando o caminho é difícil de ser trilhado.
Pensando assim, hoje em especial e em todos os dias e oportunidades possíveis, é dia de pensar em você. Como assim? Dia de pensar no que você, professor ou não, pode e deve fazer ao se deparar com uma pessoa com autismo. Simplesmente, FAZER A DIFERENÇA!


"Crianças com transtorno do espectro autista (TEA) não são desobedientes, mimadas ou mal-educadas.Cada uma tem um modo muito individual de ser e sentir e não há uma receita que sirva para lidar com todas elas - como também não há uma para amar."

Maria Danielle, atriz e mãe de Ícaro, 8 anos, autista. Depoimento publicado no site Estou autista-www.estouautista.com.br e Revista Autismo.


:)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Astrônoma, mimada e Du Moscovis

E por falar em saudade...
Saudade de ficar por aqui....



Se eu pudesse, não largava a caneta (digo, teclado) e o blog. O "primeiro passo" de 2013 me tirou completamente dos (re) cantos sociais. Isso me incomoda muito, mas ainda não posso me dedicar ao blog como quero. Espero que os espaços/ tempo surjam nesse 2013 cheio de desafios e novidades que estão por vir. Aliás, já chegaram. 

Se o tempo continua escasso, as idéias, por outro lado, fervilham. E em tão pouco tempo, as histórias, todas elas vivenciadas no cotidiano escolar me fazem acreditar nessa inclusão que muitos não creem ou aceitam. Entendo que nossas escolas precisam ser estruturadas, professores capacitados, pesquisas realizadas, materiais e recursos adquiridos. Mas o que mais me incomoda é a capacidade (ou incapacidade) do ser humano banalizar  o sentimento de cuidado com o outro, o aprender junto, aprender com. O amor esfriou? 

Algumas coisas ainda me chocam, coisas que vejo e ouço por aí . Há casos e casos e me esforço para compreende-los dentro de cada contexto. Mas a falta de humanidade e honestidade ainda me machucam muito. Fica aquela sensação de impunidade, de agressão velada. Cada uma dessas vidas que passam pela mão de um professor é um pequeno pedaço de esperança, e cada um de nossos esforços são recompensados com os avanços, sejam pequenos ou significativos. Então, não desistir do outro se torna um dos maiores objetivos, ou como costumo dizer, regra de fé e prática. É isso que me faz acreditar incansavelmente nas potencialidades e na necessidade real que cada indivíduo tem para a sua vida. 

Quando passei a estudar o TGD e o autismo (no início, por minha conta e risco, depois na especialização) comecei a compreender muita coisa que antes os meus olhos não podiam ver. Por exemplo, não conseguia entender o comportamento de  um aluno que  andava disperso pelos corredores. Uma conversa informal não despertava interesse  naquele menino, porém, o mesmo era atento, vivo aos pequenos detalhes que para mim eram invisíveis. Ao utilizar o computador, apelidava um certo jogo de "enigma egípicio". Só algum tempo depois atentei para o detalhe de uma esfinge ao fundo no software (era um simples jogo no qual a pessoa exercita  a digitação no teclado, bem simples mesmo).

Ao se deparar comigo nos corredores me chamava de veterana.. "Veterana, você já ligou os computadores hoje?". Eu achava engraçado, ele nunca me chamava pelo nome, Vanessa. Mas me deixava intrigada... 

Quando comecei a ler sobre o autismo a fundo, vi alguns casos mais específicos, mas complexos e em algum momento falou-se na Síndrome de Asperger. Eu já estava estudando sobre ela na especialização, o que me deixou fascinada! Nessa época eu recebi na SR um aluno com suspeita de SA. Eu o observava e era nítido para mim que eu estava diante de um aspie.

Nessa época, o nosso outro aluno (digo nosso porque oficialmente ele nunca foi meu, ele é aluno do outro turno) parou de me chamar por "veterana". Fui promovida a "Astrônoma com formação em homo sapiens".

Continuo daqui a pouco, rs.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

E aí, 2013?




"Por mais longa que seja a caminhada, o mais importante é dar o primeiro passo".

Vinícius de Moraes

E aí, 2013?
Vamos ao primeiro passo?