segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dia do Orgulho Autista - 18 de junho


Dia do Orgulho Autista-18 de junho


O Dia Mundial do Orgulho Autista surgiu a partir da iniciativa da organização americana Aspies for Freedom.
Segundo Fernando Cotta, pai de um filho autista e um dos organizadores do evento no Brasil, "Este dia é uma celebração da neurodiversidade dos indivíduos do espectro autista, para promover o conceito de que aqueles identificados como autistas não sofrem de um mal patológico, assim como quem tem a pele escura não sofre de uma doença de pele" .
O termo autismo origina-se do grego autós (de si mesmo) e compreende a observação de um conjunto de comportamentos agrupados em uma tríade principal:
  • comprometimentos na comunicação;
  • dificuldades na interação social;
  • atividades restritos repetitivas.


Diferenciando-se do autismo clássico, a Síndrome de Asperger é considerada por muitos como um autismo de alto funcionamento (às vezes chamadas de savants- sábios-). Na S.A. não ocorre deficiência intelectual, atraso cognitivo ou considerável prejuízo na linguagem. Um aspie, como se autodenominam, costuma desenvolver interesses em áreas específicas, modos de pensamentos complexos, rígidos e impermeáveis a novas idéias.


Características/hábitos de uma criança com autismo







  • Retrair-se e isolar-se das outras pessoas.
  • Não manter contato visual.
  • Resistir ao contato físico.
  • Resistência ao aprendizado.
  • Não demonstrar medo diante do perigo.
  • Agir como se fosse surda.
  • Birras.
  • Não aceitar mudanças de rotina.
  • Usar as pessoas para pegar objetos.
  • Hiperatividade física.
  • Agitação desordenada.
  • Calma excessiva.
  • Apego e manuseio não apropriado de objetos.


  • Movimentos circulares no corpo.
  • Sensibilidade a barulhos.
  • Estereotipias.
  • Ecolalias.
  • Não manifestar interesse por brincadeiras de faz-de-conta.
  • Apego aos centros de interesse.
  • Compulsão.


Perguntas que os pais/professores devem fazer: investigação do contexto do
comportamento inadequado e suas razões

  • Como surge o comportamento?
  • Onde ocorre?
  • Está relacionado ao ambiente ou algum objeto ou à pessoa?
  • É decorrente de algum estado emocional da criança? Qual?
  • O comportamento está relacionado a experiências sensoriais?
  • Está relacionado à quebra de rotina?
  • Está relacionado às frustrações, às ansiedades ou à alegria?





IMPORTANTE:


O PROFESSOR NÃO DEVE ESPERAR QUE UM ALUNO COM AUTISMO DIGA PARA ELE O QUE ESTÁ ACONTECENDO. O entendimento preciso dos contextos comportamentais demandará permanente vigilância, sensibilidade e perseverança do educador. E necessário olhar a pessoa como um ser integral na sua estrutura biológica, afetiva e social, respeitando a individualidade do aluno.


FONTES:


CUNHA, Eugênio. Autismo e inclusão: Psicopedagogia e práticas pedagógicas na escola e na família. 2ª ed. RJ: Wak Editora, 2010
Dia Mundial do Orgulho Autista
Acesso em 16 jun 2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Entrevista Ana M. Barbosa: "Cada beijo que ganho de um autista é um grande troféu."

Entrevista / Ana Beatriz Barbosa

 

| Débora Mismetti | FOLHA DE S.PAULO - CIÊNCIA+SAÚDE | 9 jun 2012 |

 

Um mundo fragmentado e difícil de decifrar é o que as crianças autistas enfrentam.

 

O transtorno de desenvolvimento, que atinge cerca de uma em cem crianças, é o tema do novo livro da psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva. Conhecida pela série de livros cujos nomes começam por "Mentes", "perigosas", "ansiosas", entre outros), ela lança agora "Mundo Singular", em parceria com o também psiquiatra Leandro Thadeu Reveles e a psicóloga Mayra Bonifacio Gaiato (Editora Fontanar, 296 págs., R$ 39,90). Com capítulos permeados por casos reais que passaram pela equipe da psiquiatra, o livro traz o didatismo de praxe nas obras de Ana Beatriz. Esclarecer o público quanto às grandes variações que existem dentro do espectro do autismo é um dos objetivos dela. "Essas crianças ainda são vistas como débeis mentais, como limitadas. Isso é um grande erro."

 

Folha - Qual é a reação dos pais ao saberem que o filho tem autismo?

 

Ana Beatriz Barbosa - É um momento de desespero, de luto, não por aquela criança que nasceu, mas pela que eles esperavam que ia nascer. É preciso ter cuidado com promessas de cura. O que podemos oferecer são estratégias com embasamento científico, viver juntos as tristezas e comemorar os avanços.

 

Como está a detecção do problema no país?

 

O diagnóstico no Brasil é pouco realizado. As crianças com autismo ainda são tidas como débeis mentais e ponto, com limites intelectuais e retardo mental mesmo. Isso é um grande erro. O autismo é um transtorno do desenvolvimento do sistema nervoso que traz uma gama de comportamentos diferenciados. Por isso falamos do espectro autista, que vai desde casos leves até os muito graves.

 

Como se define o transtorno biologicamente?

 

Essa criança nasce com um sistema nervoso central diferente, e essa diferença é na comunicação entre os neurônios, que é mais lenta e acontece menos. Por isso ela vê o mundo em partes, e não como algo global. Se você olha para o meu rosto, vê nariz, olhos, boca e já sabe: é a Bia. É muito rápido. O autista vê nariz, orelha e vai se prendendo nos detalhes. Isso causa dificuldades de socialização. Mas essas crianças têm muito afeto, diferentemente do que se pensa. Por muito tempo, o autismo foi chamado de psicopatia infantil, porque a dificuldade de socialização parece uma indiferença com o outro, e não é.

 

Quais as estratégias para melhorar esses relacionamentos?

 

O autista tem pensamento concreto, você precisa criar manuais para ele. É preciso treinar o cérebro para abrir conexões que ele não tem. A medicação é usada para que a criança fique menos hiperativa e mais atenta a esses ensinamentos. A maior descoberta na neurociência nos últimos 20 anos é a neuroplasticidade, a gente muda o cérebro de dentro para fora e de fora para dentro. Os autistas têm o sistema emocional funcionante. Mas levam um tempo maior para manifestar a emoção. E nos casos mais graves também há dificuldades de linguagem. Por isso é comum que crianças com graus mais severos de autismo usem as pessoas como instrumento: ela pega você e leva até a geladeira para pegar o que quer.

 

Por que muitos autistas são tão dependentes de rituais?

 

O mundo é um excesso de estímulos para eles. Se o autista domina algo, como o caminho da casa até a escola, isso é ótimo para ele. Se você mudar alguma coisa, causa desespero. Qualquer mudança deve ser negociada. Boa parte dos autistas é muito inteligente, muitos se alfabetizam sozinhos. Eles estudam e vão a fundo nos assuntos. E 10% são savants, têm uma ilha de conhecimento extraordinário cercada por um mundo de deficiências. São aquelas criaturas que tocam piano sem nunca ter tido aula, mas não conseguem trocar a roupa sozinhas. Um autista é incapaz de mentir e de entender ironias. Por isso eles gostam de bichos, porque eles têm poucas expressões muito simples.

 

Por que é tão importante detectar o problema cedo?

 

O diagnóstico feito até os três anos é um divisor entre uma vida funcional, que não vai ser perfeita, mas em que a pessoa vai poder se cuidar, ter uma articulação com as pessoas, e uma vida em que isso não acontece. Pediatras bem informados podem detectar o problema facilmente. Bebê que se incomoda em ser amamentado é um sinal, assim como demorar para falar, não olhar para os pais quando falam, andar na ponta dos pés se está nervoso, não olhar nos olhos. Tudo isso é muito precoce. Um investimento nos pediatras traria diagnóstico em 100% dos casos antes dos dois anos, o que seria revolucionário para o prognóstico das crianças. Os autistas são estrangeiros onde quer que estejam. Nosso mundo para eles é assustador. Mas nós podemos buscá-los. Quem trata esse tipo de alteração precisa gostar muito de gente. É preciso exercitar a solidariedade. E isso faz bem para todos. Para mim, faz. Cada beijo que ganho de um autista é um grande troféu.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

O que é a Síndrome de Asperger?


A Síndrome de Asperger é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), resultante de uma desordem genética, e que apresenta muitas semelhanças com relação ao autismo.
Ao contrário do que ocorre no autismo, contudo, crianças com Asperger não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem com comprometimento cognitivo grave. Esses alunos costumam escolher temas de interesse, que podem ser únicos por longos períodos de tempo - quando gostam do tema "dinossauros", por exemplo, falam repetidamente nesse assunto. Habilidades incomuns, como memorização de sequências matemáticas ou de mapas, são bastante presentes em pessoas com essa síndrome.
Na infância, essas crianças apresentam déficits no desenvolvimento motor e podem ter dificuldades para segurar o lápis para escrever. Estruturam seu pensamento de forma bastante concreta e não conseguem interpretar metáforas e ironias - o que interfere no processo de comunicação. Além disso, não sabem como usar os movimentos corporais e os gestos na comunicação não-verbal e se apegam a rituais, tendo dificuldades para realizar atividades que fogem à rotina.


Como lidar com a Síndrome de Asperger na escola?

As recomendações são semelhantes às do autismo. Respeite o tempo de aprendizagem do aluno e estimule a comunicação com os colegas. Converse com ele de maneira clara e objetiva e apresente as atividades visualmente, para evitar ruídos na compreensão do que deve ser feito.
Também é aconselhável explorar os temas de interesse do aluno para abordar novos assuntos, ligados às expectativas de aprendizagem. Se ele tem uma coleção de carrinhos, por exemplo, utilize-a para introduzir o sistema de numeração. Ações que escapam à rotina devem ser comunicadas antecipadamente.

Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/sindrome-asperger-625099.shtml



Nota: Cada pessoa guarda suas particularidades, portanto, respeite a singularidade de um aspie.

=)