terça-feira, 28 de dezembro de 2021

 Felicidade não é parte, é todo.


 "Ando devagar porque já tive pressa". 

Pressa em viver. 

Já andei demais por aí, e também, já não posso caminhar tão devagar.

Na busca pelo amanhã, é comum atropelar o hoje e  não viver um dia de cada vez. Ou emaranhar-se no passado e  estagnar nele como desculpa para não avançar as doze casas.

O tempo que passa e se arrasta. 

Será?

Meu tempo é quando!

Encontrar a felicidade nas pequenas coisas. Em cada detalhe. Sobre ter e ser; sobre amar e cuidar; sobre desejar o bem e ser feliz com a alegria das pessoas que amamos. 

Amar, mesmo que não seja nesse plano. Amar, mesmo que seja à distância. Amar, sobretudo a si mesmo. 

A felicidade está na palavra simples, no  gesto casual, naquilo que somos e sentimos em relação ao todo. E o todo, é seletivo, particular. 

Qual a parte que falta?

Ser feliz com a alegria das pessoas que amamos é uma forma de felicidade.

A casa do "nós".


Crê apenas no amor e em mais nada (Vinícius de Moraes).






segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Verdade, uma ilusão





Roubar-te um beijo num salão
Girar sem perder o chão
Não vou deixar você cair...


Eu posso te fazer feliz
Feliz me sentir também
Eu posso te fazer tão bem
Eu sei isso eu faço bem
Roubar-te um beijo no salão
Girar sem perder o chão
Não vou deixar você cair
Cintura leve a minha mão
Verdade - uma ilusão
Vinda do coração
Verdade - seu nome é mentira

Eu posso te fazer ouvir
Milhões de sinos ao redor
Eu posso te fazer canções
O amor soa em minha voz
Eu posso te fazer sorrir
Meus olhos brilham para ti
E os pés já sabem onde ir
Ninguém precisa decidir
Verdade - uma ilusão
Vinda do coração
Verdade - seu nome é mentira

Verdade - uma ilusão
Vinda do coração
Verdade - seu nome é mentira


(Brown, Antunes, Marisa)



quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Era



Era uma vez  uma garotinha segurando uma "galodinha", a boneca de cabelo amarelinho
E um ursinho de pelúcia, o Peposinho, que também se chamava Peter, de chupeta amarela-vermelha e babador.
Apostava corrida com o imaginário num velocípede azul
Se escondia no buraco da piscina e falava sozinha
Tinha o cabelo cacheado, o sorriso 
a gargalhada solta
O amor fluindo.
Era dona de fazendas com muitos animais, boizinhos e cavalinhos 
Um cavalinho branco se chamava Pé de Pano, como o do Pica-Pau.
A areia fina, o caminhãozinho laranja e azul, puxado por uma cordinha.
O agarradinho, agarradinho, sempre assim.
No quartel, os seus bombeiros eram  casados com moças coloridas e seus vestidos eram feitos de retalhos-
ou de papel
Uma dessas moças se fantasiava de odalisca no carnaval, com gel new wave azul  nos cabelos
Era uma roupa cor do sol feita à mão
com folha de caderno.
Os cadernos
Eram três
Um pra mim, outro pra você.
A mamãe fazendo bolinhos e festinhas para batizar as bonecas e brincando como se fosse criança também
Viajando com o lápis de cor e a  canetinha Baycolor que apagava como mágica. 
O cine drive-in desenhado, os três no carro, a tela do cinema que parecia tão grande... o avião voando baixinho, indo e vindo do Galeão
Na Ilha do Governador.
Papai chegando no carro com o beirute
Coca-Cola no copo de papel
Ela dormindo no banco de trás do carro.
E o Belvedere! 
Ele fechou e ninguém ficou sabendo... 
Aquele dia que não deixou rodar e ela ficou tão triste, mas depois entendeu que aquele moço que estava no meio das outras crianças no carrossel poderia ser "mau".
Ela arrumava casinhas e sonhava em morar em todas elas; fazia comidinhas com pedrinhas, folhas e afins. Brincava com ela mesma e com o mundo. Um dia, pediu um irmãozinho: ganhou dois de uma só vez.
Escorregou, correu, balançou 
Caiu da bicicleta, prendeu o dedo, o calcanhar
Muitas vezes...
Muitas vezes
Ela contava histórias, estrelas
E borboletas
Esperava as Onze-horas amanhecerem (na hora errada)
Escrevia nas paredes do quintal com o vidrinho de água observando as palavras sumirem com o calor do sol.
Aprendeu a ler nos gibis e nas imagens do Saber em Cores
No O Mundo Colorido da Criança
E com as Mãos Mágicas
Nas embalagens, nas placas, nas músicas.
Foi  heroína; foi todos os personagens
Queria ser bailarina, mas alguém disse que o pé da bailarina não era muito bonito (que maldade!)
E ela nem quis mais
Mas ela continuou girando
E sendo todas as meninas que ela era
Com todas as suas melodias.
Depois de bailarina, ela quis ser pianista, astronauta
Professora
De bonecas
E de gente de todos os jeitos
Aprendeu a escrever
E nunca mais parou.
Ela não cansava nunca
Não cansava nunca
Não cansava
Não...



Ela era, ela é...








domingo, 12 de dezembro de 2021



O quarto domingo seguido.
O que faz parte do todo que é construído.
Voltando de lá. O lá de hoje,  mais ou menos perto.

São as etapas, os ciclos, as coincidências felizes. 
Estar em casa e só perceber quando as memórias afloram.
O sorriso no bendito fundo azul. Esse céu que me faz tão feliz. Só ele e o sol.

Pequenina, de mãos dadas, escrevendo os sonhos nos rabiscos. Os finais de semana no meio dos módulos, avaliações, formações, encontros. Aprendendo Vinícius comigo, poesiazinha, o teu desenho puro.
Agora, taí, estrelinha... escreva e continue sonhando.


A vida é boa quando se brinca demais, quando se canta e não se olha pra trás.


O mundo é realmente uma bolinha de papel.



sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

O último dia


Meu amor,

O que você faria

Se só te restasse um dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria 

(Moska/ Brandão)


Desde que fomos lançados à sorte do retorno gradativo, seletivo, controlado, escalonado e seguro (?), me pergunto: O que aconteceu com as pessoas? A necessidade de viver em 24 horas o que não foi vivido em 2020/2021?  Compensar o ano perdido? Medo de retornarmos à uma quarentena mais severa? Fato que por aqui nunca existiu, devido à  fatores sociais, econômicos, culturais...

Ou nada disso. Um simples  dane-se para tudo.


O que você faria? 


Todos estão cansados. Aqueles que quarentenaram por pressão ou por necessidade; àqueles que não tiveram a oportunidade de quarentenar. E aqueles que optaram por seguir em frente, sem restrições.

Muitos se encontram no estado de loucos por uma aglomeração.  O que escolhemos pode decidir a sorte, a vida do outro. Na loteria cormobidades, genética, imunidade, vacina é a maior ferramenta, porém, aliada aos cuidados que precisam ser mantidos: distanciamento, uso da máscara, a higiene das mãos e todo e qualquer procedimento necessário para que possamos nos proteger; proteger  o outro.

Observo, questiono. Me entristeço. Me revolto. O que chamam de mordaça, chamo de proteção. O que chamam de limitação de ir e vir, chamo de zelo. E assim, as diferenças se acentuam e precisamos buscar um meio de conviver com elas. Mas, lembrando que não estamos falando sobre egos, opiniões ou achismos. Falamos sobre CIÊNCIA, ESTATÍSTICAS; A RESPONSABILIDADE SOBRE NOSSAS VIDAS E DE OUTRAS PESSOAS.

Se você apresenta sintomas, se está doente, tenha  consciência:  não contamine seus colegas, seus familiares. Não espere um ente querido  ser intubado para ter a dimensão que tudo isso  não é brincadeira de criança. 

Sobre as crianças, vejo no cotidiano o quanto elas tem sofrido.  Porém, não há testagem, controle algum. Famílias inteiras circulando com "gripe" sem saber ao certo o diagnóstico. E assim, convivemos, no ir e vir seletivo para alguns, na medida do possível.

Todas as medidas adotadas são necessárias; todos os esforços.  Seguir com todos os cuidados,  acreditar na vacinação,  respeitar o  distanciamento.

Os EPIs adequados são adquiridos e mantidos com meios próprios, assim como a limpeza constante do material de trabalho, o cuidado com o ambiente,  a exigência da máscara e o uso constante da mesma; a solicitação por parte do colega que não utiliza e não respeita o distanciamento; a consciência de que me protejo e aos demais.


Uma quantidade infinita de adultos e crianças sem máscara.

O colega que ironiza o outro que se mantêm distante ou que não retira a máscara para a foto social.

A outra que se torna alvo de críticas por utilizar face shield.

A máscara alheia que anda pendurada na orelha, no braço, na bolsa; que não é higienizada. 

Aqueles que acham exagero; bobeira; crendice; covardia; falta de fé.


A cada dia, vejo um mundo mais inadequado. Me questiono se as pessoas realmente (con)vivem. Se nos cuidarmos ou não, o mundo continuará existindo (por um instante). E nós? Sobreviveremos ao  egoísmo? À ignorância?


Me diz, o que você faria?


O mundo não acabou. Ele não é, ele está  sendo (Freire). Mas a humanidade caminha para o fim.





terça-feira, 7 de dezembro de 2021

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

O Melhor Da Vida



O Melhor da Vida

Marcelo Jeneci

 

O que vale nessa vida

Tem um pouco do seu jeito

Jeito do seu corpo, jeito do seu pensamento

Jeito de gostar dos outros cada vez gostando mais

Do seu jeito de falar tranquilo

Como quem promete e faz

 

O que vale nessa vida é ver como você aproveita

Desde a hora que levanta até a hora que deita

Quando escolhe a coisa certa é tudo sem receita

Quando perto de você a própria confusão se ajeita bem

 

E me vem que a vida vale mil

Mil vezes sou nós dois

Mil meses de amor

Antes de ter prorrogação

Se a vida é por um fio

Valeu pra quem já viu

Seu jeito de tocar no coração

 

E nas noites que o tempo para e você me abraça

Sinto que o melhor da vida sempre vem de graça

Sinto que o melhor momento é aquele que não quer passar

E que dura toda a eternidade

E isso é só pra começar

 

O que vale nessa vida, vale como um bom presente

Cai do céu, um bem que a gente sente

Vem como você vem antes de eu me preparar

E me diz: Vai ficar aqui, pois aqui é seu lugar

 

E me vem que a vida vale mil

Mil vezes sou nós dois

Mil meses de amor

Antes de ter prorrogação

Se a vida é por um fio

Valeu pra quem já viu

Seu jeito de tocar no coração