sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

O último dia


Meu amor,

O que você faria

Se só te restasse um dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria 

(Moska/ Brandão)


Desde que fomos lançados à sorte do retorno gradativo, seletivo, controlado, escalonado e seguro (?), me pergunto: O que aconteceu com as pessoas? A necessidade de viver em 24 horas o que não foi vivido em 2020/2021?  Compensar o ano perdido? Medo de retornarmos à uma quarentena mais severa? Fato que por aqui nunca existiu, devido à  fatores sociais, econômicos, culturais...

Ou nada disso. Um simples  dane-se para tudo.


O que você faria? 


Todos estão cansados. Aqueles que quarentenaram por pressão ou por necessidade; àqueles que não tiveram a oportunidade de quarentenar. E aqueles que optaram por seguir em frente, sem restrições.

Muitos se encontram no estado de loucos por uma aglomeração.  O que escolhemos pode decidir a sorte, a vida do outro. Na loteria cormobidades, genética, imunidade, vacina é a maior ferramenta, porém, aliada aos cuidados que precisam ser mantidos: distanciamento, uso da máscara, a higiene das mãos e todo e qualquer procedimento necessário para que possamos nos proteger; proteger  o outro.

Observo, questiono. Me entristeço. Me revolto. O que chamam de mordaça, chamo de proteção. O que chamam de limitação de ir e vir, chamo de zelo. E assim, as diferenças se acentuam e precisamos buscar um meio de conviver com elas. Mas, lembrando que não estamos falando sobre egos, opiniões ou achismos. Falamos sobre CIÊNCIA, ESTATÍSTICAS; A RESPONSABILIDADE SOBRE NOSSAS VIDAS E DE OUTRAS PESSOAS.

Se você apresenta sintomas, se está doente, tenha  consciência:  não contamine seus colegas, seus familiares. Não espere um ente querido  ser intubado para ter a dimensão que tudo isso  não é brincadeira de criança. 

Sobre as crianças, vejo no cotidiano o quanto elas tem sofrido.  Porém, não há testagem, controle algum. Famílias inteiras circulando com "gripe" sem saber ao certo o diagnóstico. E assim, convivemos, no ir e vir seletivo para alguns, na medida do possível.

Todas as medidas adotadas são necessárias; todos os esforços.  Seguir com todos os cuidados,  acreditar na vacinação,  respeitar o  distanciamento.

Os EPIs adequados são adquiridos e mantidos com meios próprios, assim como a limpeza constante do material de trabalho, o cuidado com o ambiente,  a exigência da máscara e o uso constante da mesma; a solicitação por parte do colega que não utiliza e não respeita o distanciamento; a consciência de que me protejo e aos demais.


Uma quantidade infinita de adultos e crianças sem máscara.

O colega que ironiza o outro que se mantêm distante ou que não retira a máscara para a foto social.

A outra que se torna alvo de críticas por utilizar face shield.

A máscara alheia que anda pendurada na orelha, no braço, na bolsa; que não é higienizada. 

Aqueles que acham exagero; bobeira; crendice; covardia; falta de fé.


A cada dia, vejo um mundo mais inadequado. Me questiono se as pessoas realmente (con)vivem. Se nos cuidarmos ou não, o mundo continuará existindo (por um instante). E nós? Sobreviveremos ao  egoísmo? À ignorância?


Me diz, o que você faria?


O mundo não acabou. Ele não é, ele está  sendo (Freire). Mas a humanidade caminha para o fim.





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