quarta-feira, 19 de outubro de 2022

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Sobre viver


    "Cabe o meu amor..."

Cabe o amor todo desse mundo. Cabe respeito. Cabe amizade. Cabe deixar ir e vir. 

Cabe ser feliz com pouco e com o todo.

Amar é lembrar todo dia que é preciso enfrentar a vida e sobreviver




sexta-feira, 9 de setembro de 2022

domingo, 14 de agosto de 2022


E ela pousou em mim (mais uma). Nos cabelos. 

Entre a euforia e a vontade de registrar, fiz um vídeo, ao invés da foto. 

Assim, compartilho o print. A edição é somente por conta do filtro; a borboleta é real.

Paleta viva. Abraço nosso de cada dia. Para dias de todas as cores e sons.

















quinta-feira, 4 de agosto de 2022


Penso, logo escrevo...


Tardo anoiteço/  amanheço o eu inquieto/ Desassossego

Atento me faço/ aos pequenos tantos/ em que me comprazo/ aos quais me enlaço/ sorvendo encantos/ à pequenas gotas/ de bem-quereres/ 

Ainda que nunca/ também seja tempo/ e que os quereres/ não se permitam/ os sons perpassam e atenuam/ a aflita alma envolvida/ entrelaçada à solidão/ 

Aquele que não amou/ ou que o amor foi em vão/ acena à tristeza vespertina/ e sem palavrar, lhe diz em silêncio- adeus.



Nova do Capital 


Sou esse instante, sou presente

Eu sinto tudo que você sente

Sou o vazio, sou a razão

De todo amor em vão

(Amor em vão/ Capital Inicial)




quarta-feira, 27 de julho de 2022

Cantar

Cantar

(Paulo Novaes)


Eu só canto

Se for de verdade

Se for de saudade

Se for me trazer a felicidade

E sentir vontade qual seja a ideia

Qual seja a plateia

Meu mundo é meu canto

A voz é meu santo

A música é prece

O amor é o poema

É todo o sistema

Compondo esta cena

Há sempre um dilema a ser encarado


E eu canto sem pressa

Da vida que passa

De coisas que eu nem sei dizer

No canto eu encaro o sofrer

Nos dias de pranto

Meu canto é consolo

É luz que clareia como a Lua cheia

E eu visto esse manto

De paz, de acalanto que corre nas veias


Cantar é magia

Que instiga na gente

O lado inocente

Que une a corrente

Que deixa contente

Ou nos faz chorar


Cantar eu só sei cantar

É algo que existe em mim

Que está em meu coração

Se eu canto qualquer canção


Cantar eu só sei cantar

É o que alivia a dor

É toda expressão de amor

De um peito que explode emoção


Pra não dizer que não falei das flores

Faltavam alguns livros e chegaram hoje. 

Amo os detalhes! 

São eles que nos aquecem.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

De volta


Em maio de 2021  voltei a rascunhar e postar meus devaneios; inspirações. 


Palavrando, direi que andei por jardins. Renovei os votos com a escrita, com la sonrisa, com as cores e com aquele "eu pequenino" que estava no meio dos nadas e dos agoras da vida. 


Sempre haverá um verso no palavrar, uma música que dirá o que precisa ser dito, que contará um conto, uma verdade, uma ilusão.
E tenho dito, no modo (quase) silencioso de ser: me perco, me encontro.

Continua. 

Agora, sem off.




sexta-feira, 3 de junho de 2022



Pausa na poesia. Pausa nos afins. 



Off.

Paulo Novaes e Rubel - Paz Interior


O primeiro encontro foi com o Vinícius. Tom, Chico, Toquinho.
Também o Caetano, Gil, o Lyra. Amelinha, a Jandaiazinha.

Aí, o novo encontro foi com Nacarato (tão filho do Brasil  quanto de Portugal cantando Vinícius); Nacarato trouxe o Rubel, que trouxe o Paulo, que agora trouxe o Janeiro, Sobral, a Maro; festa!

Ah! Um Hotelo (de vez em quando).
Um Pedro, na poesia.

Se eles abraçam? Sim, abraçam. Com as palavras, com os olhos, com o corpo todo.

O que quero mais? Quero TUDO!
Todos eles, todos os NÓS!


Passando só pra dizer, para lembrar que amor é  tudo isso que  faz feliz de alguma forma.



Paz Interior


Eu vim pra resolver

Não pra dizer que tudo é triste

Nem pra saber o que eu já sei

Está escrito em nossas caras


Eu vim pra clarear

Pra esquecer tudo que faz pesar teu olhar

Te ver chorar só por alívio ou alegria


Buscar a nossa paz interior, irradiar

Amar sem pé atrás, acreditar que a vida faz

Viver é uma questão de ir atrás daquilo que acredita

Amar é coração, inexplicavelmente viciante

Me faz querer e faz de mim sua metade









quarta-feira, 1 de junho de 2022

Simplesmente Vinícius


A palavra, a poesia, o pertencimento. 

De Moraes, o encontro.

Escrevo; assim, estou sendo.



A vida é pra valer, a vida é pra levar...

 


 


sexta-feira, 8 de abril de 2022

Passageiro



E no excesso dos vazios, não escrevo: canto. 
Ouvi, me vi, guardei no tempo. Ficou lá. Talvez porque fale demais, e nem sempre seja possível dizer. Mas hoje, elas saíram do app. Aliás, música  é o que não falta. As mais coloridas.
Passageiro, sem querer, acabou sendo. Nem era.
É sobre as novas músicas que são tão bonitas quanto as antigas. Sobre as novas histórias que elas contam.
Sobre as palavras que dizem: você está viva, apesar de.
Dançaria nessas palavras... até cansar, e depois de descansar, cansaria novamente.
Estou naquele lugar onde guardo os sonhos; onde mora um sorriso sem fim, no fim. 






É, se a vida bate forte, eu fico tonto, eu perco o ponto...
Quem lê vai rir ou vai chorar, não cabe a mim.





Passageiro

Quantas vezes eu não fui o último a fechar a porta?
Quantas vezes, cansado, eu mal cheguei e já dei meia volta?
Quantas vezes o mundo me tirou o doce da mão, sorrindo?
Quantas vezes, mesmo sujo, eu acabei jogando limpo?

É, se a vida bate forte
Eu fico tonto, eu perco o ponto
Aonde é que eu vou parar?
Eu sou passageiro
E o meu roteiro
É um drama sem fim
Uma comédia ou algo assim
Quem lê, vai rir
Ou vai chorar
Não cabe a mim.











Abre aspas



Editando.































Sem Distância

 


"Sem Distância"  

 

 

Hoje o tempo não vai nem esperar

Dentro, tudo o que foi e que será

Sem distância

Hoje o tempo não cai nem começa

Onde o medo do que foi e do que será

Não alcança

 

Dia azul, dia azul, dia azul, dia azul

Alegria tá pra chegar

É novo o espaço no céu

É infinito

Um aviso, uma máquina, o ar vem dizer

Tempestade já vai passar

Um outro espaço, é

Outro destino

Quis cantar meu coração

Quis cantar meu coração


(Cícero)




terça-feira, 5 de abril de 2022

Pato Fu - Por Perto






Pode ser numa canção
Pode ser no coração
Eu só quero ter você por perto






Palavrar


No modo rascunho. 

        

          




As palavras vieram até mim, mas sinto que estão indo embora. Depressa demais; capítulo sem fim.

Será que o tempo resguardará a poesia, assim como o silêncio e seus desígnios?


Palavras fazem amor. Palavras fazem sofrer. Palavras confortam. Palavras magoam. Palavras curam. Palavras cansam. Palavras cuidam.


Ando pelos caminhos, sou encontro;

Por onde vou, por onde ando

Sou poesia



Desacelerando; apago as luzes.


 


              

O Que É Que Está Escrito - Vila Sésamo




Para os meus (nem tão) pequenos da Sala de Recursos.



Essa música me lembra a Larissa pequenina, os dias com Vila Sésamo, Os Sete Monstrinhos, Cocoricó, Tooth&Puddle. Sempre no meio dos meus livros e trabalhos da faculdade, conversando, contando histórias, cantando Tom, Vinícius, Toquinho...

Lembra também meus queridos alunos Diogo e Eduardo. Cantávamos juntos batucando na mesa antes de iniciarmos  as atividades.

Coisas simples que a música  proporciona. Saudade!



E reencontrei a Takai!



quinta-feira, 31 de março de 2022

 

O pequeno Yuri, pelo telefone, no dia da entrevista com o responsável (matrícula realizada no período do ensino remoto):


"Professora, ainda não te vi,  mas acho que já estou te amando..."



quinta-feira, 24 de março de 2022

Futebol e afins


Na terça pela manhã, recebi um comunicado sinalizando a chegada de um novo aluno para o dia seguinte. Não entrarei em detalhes sobre o encaminhamento do mesmo, sobre quantitativo de alunos/vagas disponíveis, ou mesmo condições de atendimento. Escrevo  sobre o que não se explica: afinidade.



Ao lado da mãe, apresentava instabilidade emocional acentuada. Entrou sem interagir com ninguém. Procurou carrinhos; respondi que não havia nenhum. Procurando bem, encontrou um carrinho de plástico antigo, daqueles com um barbante amarrado na frente. Perguntei se queria ver a caixa de blocos coloridos. Quis ver, mas, sem demonstrar interesse. Agitado, nitidamente ansioso, sem fazer contato visual, entre espirros de uma possível alergia e mastigando os últimos biscoitos do pacote, eu explorava as poucas oportunidades  de interação, enquanto tentava junto à equipe  estabelecer uma conversa tranquila com a mãe do aluno. 

Enquanto ouvíamos o relato da mãe do aluno, fazíamos a relação com o comportamento do mesmo. A dificuldade em aceitar o "não", compreender comandos, a agitação, conflitos familiares. Deitava no chão, tirava o calçado, arrastava a cadeira, falava alto. 

A equipe pedagógica reunida na sala e eu interagindo com aluno; ao mesmo tempo explicando a proposta de trabalho e sinalizando a relevância da participação dos familiares no processo de adaptação. 

Passa um carro na rua fazendo barulho. O menino fica mais agitado me perguntando com a fala desconexa sobre o modelo, marca, cor do carro. Pensei: encontrei um centro de interesse! 

Respondi de forma direta que não havia como saber, pois eu também não pude ver o carro, já que estávamos dentro da sala. E o menino ficou me observando. 

Ele levantou, andou pela sala. Olhou as paredes, mexeu no meu chaveiro da Copa de 2014 (sim, uso o mesmo chaveiro desde a Copa). Passou a mão sobre os móveis e no cadeado que fecha um dos armários, do Fluminense, por sinal. Eu observando, pois não queria sufocá-lo. 

O aluno falou comigo em voz alta, de longe: "Você é Fluminense?"

"Sou sim. Você conhece o Fluminense? Torce pra ele também?"

Ele me respondeu um sim com força enquanto a mãe já estava dizendo que ele não torcia para o Fluminense, que não era verdade.

"Torço sim! Sou Fluminense sim!" Insistia.

Eu, sorrindo por dentro tive a certeza que o vínculo já estava formado pelo simples detalhe do cadeado tricolor que despertou o interesse do menino.

Passou a me solicitar, fazer perguntas. Algumas com certa lógica, outras nem tanto. E eu ali,  com um aluno que aparentemente compreendia o mundo, apesar de até aquele momento não aceitar nenhum de contato afetivo, social, nenhum tipo de regra ou comando.

A partir da descoberta do cadeado, o menino pegou minha mão e respondeu todas as minhas solicitações. E repetia: "Sou Fluminense sim, com você! Eu sou Fluminense!"

Do mundo paralelo, eu ouvia a histórias sobre o comportamento do aluno no ambiente familiar, as reclamações, a falta de expectativas da mãe, o atraso no comportamento, a agressividade, a falta de terapias e rotina, a forma que os familiares lidavam com o contexto.  Não ouvi em nenhum momento algo que dissesse que aquele menino EXISTIA. Sim, as questões familiares estavam influenciando diretamente no comportamento do aluno. Talvez o cansaço, as frustrações. Certamente, uma família com muitas dores, muitas cicatrizes. 

De mãos dadas, aproveitei o momento para fazê-lo guardar os blocos, limpar a mesa, calçar o chinelo, explicar que o chão estava sujo, que a cadeira que escolheu para sentar estava quebrada e não era adequada. E ele foi ouvindo, e às vezes, sorria, enquanto eu pensava no mais importante:  o respeito pela pessoa que estava ali.

Percebi que ele identificava as cores, que gostava de carrinhos, motos de brinquedos e automóveis de verdade. Descobri que ele passava horas falando sobre carros. Que apesar de não conseguir fazer suas tarefas sozinho, compreendia os comandos, apesar de não aceitá-los. Que era capaz de ser doce, afetuoso, generoso. Nas entrelinhas.

Ao sair, a mãe lembrou de um pequeno detalhe: a avó do menino torce para o Fluminense. Essa avó é a pessoa que participa da educação do menino. Acredito que o mesmo tenha feito uma associação positiva, entre ela, eu e o futebol.

Ao sairmos, ele me abraçou sem ser solicitado, sem que nenhum adulto exigisse. Aquele abraço torto de que tanto falo, pela cintura, de lado. Acho que é uma regra receber esses abraços que são carinhosamente desajeitados.

Para finalizar, aquela pergunta clássica de um dos adultos  para a criança: "Gostou da professora?".

"Gostei muito".

Insistem. 

"Gostou mesmo?"

Ele, de novo, quase impaciente:  "Gostei muito dela!" 



Sobre o encontro, posso que afirmar que não é só futebol.



Considerações:

1. A família ainda não fez o retorno. Descobrimos que residem distante da escola, e talvez seja um dos motivos para que abram mão da matrícula e procurem um local mais próximo.

2. Um acompanhamento eficaz e constante (clínico e terapêutico) influencia diretamente no desenvolvimento do aluno. Mas, independente do sucesso das terapias (ou da falta dela), como negar a pessoa em si, a personalidade, a criatividade, o senso de humor, o afeto? 

3. O esporte agrega, assim como o futebol. Desconsideramos a violência, o fanatismo, a competição e espírito destrutivo; ao contrário: valorizamos a amizade, a superação, a excelência, a determinação, a igualdade, coragem e a inspiração (Valores Olímpicos e Paralímpicos). O esporte não deve se restringir às aulas de Educação Física. A reflexão pode mudar hábitos, atitudes, costumes enraizados estabelecidos pelo simples fato de repetir o erro dos outros. 

4. Família e escola precisam estar conectadas.  Ações complementares.




Próxima parada: Sobre o Duda e a inspiração.


             

quinta-feira, 3 de março de 2022

Da folha do maracujá

O final da história é que de todas as lagartas, somente uma sobreviveu. E depois da pupa. a borboleta. Chegou hoje pela manhã. Uma alegria (e também, um susto).

Ela é linda! Ou ele. É quase um "borboleto", mas, não temos certeza.

O início e todo o resto, conto depois. 







domingo, 27 de fevereiro de 2022

No ir e vir do dia, a falsa alegria do carnaval (sem carnaval) contrasta com as notícias cruéis dos noticiários envolvidos na guerra pela maior e melhor cobertura. Nesse mesmo ir e vir, vejo pessoas que  se divertem assistindo o caos. E ainda outras que se alimentam das notícias, talvez por curiosidade ou medo. 

O batuque e a festa que aguardem o tempo de ser. 

A pandemia não chegou ao fim. Estamos contando as perdas, agradecendo por aqueles que sobreviveram;  e agora, mais um rastro de vidas perdidas.
A dor está perto de nós, todos os dias. Guerras, gente faminta, de pão e de espírito.

Não faltam motivos para orar. Mais empatia.
Crer.













sábado, 26 de fevereiro de 2022

Vejo-te Aqui





Quantos dias tão pra vir
Quantas noites sem dormir
Conto as luzes da cidade e, mesmo assim
Vejo-te aqui
Vejo-te aqui


Quantos dias estão pra vir
Quantas noites sem dormir

Escrevo, leio, vejo filmes, faço bolos
E sinto-te aqui



terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

De volta para casa

12/02 (editando)


Sobre dois novos alunos, sobre dois amores novos.


Ao chegar à escola, a mesma escola, tudo igual, tudo de novo. A diferença está nos rostos cobertos pelas máscaras, a falta do abraço. Ainda assim, alguns abraços acontecem meio sem querer, seguidos de pedidos de desculpas. Existem pessoas que só conseguem falar dessa maneira, no tocar, na pele. Resta lembrar dos protocolos e continuar seguindo.

Durante a semana, os sentimentos vão surgindo. Amanhecem e anoitecem ansiedade, esperança, amor, medo, carinho. É assim que construímos os caminhos. 

Na quinta, o primeiro encontro. O aluno chegou e todos da equipe fizeram a acolhida. O sorriso dele, rodeado pelas professoras que incentivavam carinhosamente, a mãe observando com emoção do outro lado. Por um momento pensei que merecia uma foto. Mas, não. A memória guardaria a cena, somente ela.

R. beijava o rosto da mãe, segurando a minha mão. Tentava beijar meus dedos, e ria, porque eu não deixava. Mostrou a camisa da escola, a calça, o sapato. Queria encostar os pés. Pediu para passar o álcool em gel nas mãos e mostrava para as professoras, satisfeito.

Coisas tão pequenas. Mas, é assim. Um passo de cada vez.


Na sexta, último dia da semana, conversas e reuniões, papéis e entrevistas, cópias de documentos. Estava pesquisando sobre algumas síndromes quando lembrei que precisava falar com as mediadoras. Na sala de recursos, conversamos sobre alunos, problemas, soluções, etapas, até chegarmos na vida diária e as pausas, tão valiosas para a manutenção da sanidade mental (parte dela).

Já havia esbarrado nele várias vezes  pelo corredor e na entrada, mas apenas trocamos  alguns sorrisos. Não havia parado para conversar, dar atenção.

F. entrou na sala como quem diz "vim pra ficar". Não esperou ser convidado, não deu bom dia. Chegou e tomou posse daquele pedaço da escola que já é dele. Disse que havia sido liberado cedo e tinha certeza que estaríamos ali. Interrompendo nossa pequena reunião várias vezes enquanto tentávamos terminar o que começamos, comecei a prestar atenção no que ele fazia. Lia um gibi antigo e queria falar sobre cartoons. Foi quando me levantei da cadeira e me aproximei para pedir que ele ajustasse a máscara e higienizasse as mãos que ele viu minha sapatilha do Snoopy, cheia de Woodstocks amarelinhos.

Fascinado, começou a falar sobre os Peanuts, depois sobre as histórias em quadrinhos, o Snoopy que resmunga  produzindo textos na máquina de escrever. Perguntei se gostava dos desenhos; disse que gostava das tirinhas. E aí, deu-se o início da conversa.

F. foi meu aluno por alguns meses no ano de 2015. Era um pequeno de 6 anos de idade. Falava inglês (aprendeu sozinho) e se incomodava com o meu inglês, que só funcionava às vezes e  razoavelmente. Gostava de dinossauros, de Star Wars, de fantasmas. Sua concentração era mínima. O hiperfoco  já era presente. Falava incansavelmente somente das coisas que gostava.

Conversar com F. me trouxe uma alegria que não sinto há muito tempo no ambiente escolar. Quando meus alunos antigos concluíram os estudos, percebi que estava iniciando uma nova etapa no trabalho, na forma de realizá-lo. O foco das famílias, o interesse, o modo que a escola tem lidado com certas questões. Mas sobre isso, escrevo depois.

A alegria está nos detalhes, assim como o amor. 

Conforme os centros de interesse foram surgindo, a conversa foi fluindo para algo maior. Naquele momento não  cabia uma avaliação formal. Era afeto. Lembrei das dificuldades do aluno, das minhas dificuldades, o processo, os avanços, os retrocessos. Foi passando um filme. F. não parava de falar e quanto mais eu demonstrava interesse, os assuntos surgindo, e eu, fascinada, fui percebendo o quanto ele mudou, o quanto eu mudei, o quanto aprendi. E a troca estava acontecendo porque eu conhecia praticamente todos os centros de interesse dele e podia trazer informações novas, assim como entender que ele demonstra coesão entre pensamento e fala. Nada ali é fantasioso. O detalhe maior está em ouvir, prestar atenção. É a comunicação.

Em alguns momentos, pedíamos para ele respirar corretamente, pausar para organizar o pensamento, baixar a voz. Mas respeitando sempre a sua alegria, pois era notório que ele estava feliz naquele lugar.

Fui contando para ele curiosidades das gravações de Star Wars, o fim dos Skywalker, as reclamações dos fãs em relação às prequelas, A transição da Lucasfilm para a era Disney. Spoiler atrasado: ele não sabia que Kylo Ren morreu passando suas forças para Rey. Que desespero! Ele repetia que Kylo se sacrificou pela moça. Daí o assunto viajou para fliperama, consoles e claro, o Atari. Os jogos. Ele descreveu cada um dos jogos que eu mais gostava, dentre eles, o H.E.R.O. E quando falou sobre o fracasso da fita do E. T. , o extraterrestre, o meu choque: F. começou a desenhar no ar um tipo de circuito interno, como se olhasse um manual. Descreveu o circuito, o o cartucho, a lógica do jogo. Aquilo que, segundo ele, estava errado.

E assim, nesse encantamento, nessa alegria, pude observar que ele tem pensamento visual. 

Existem pessoas que tem habilidades em visualizar imagens. Literalmente, ele visualiza/projeta aquilo que em nós está limitado ao pensamento. Um das palavras que eu mais gosto de escrever: peculiar.

Aos poucos, observamos e identificamos  outras características: pouco, quase nenhum contato visual, incômodo com ruídos sensibilidade ao toque. Disse não gostar muito de ser abraçado, tocado.

F. fez algumas pausas engraçadas, rindo e fazendo sorrir; ouviu uma música que a mediadora colocou no celular (Calma, da Marisa) e cantamos juntos. Depois de algum tempo pediu que pausasse a música; compartilhou seu interesse por músicas dos anos 80 e clássica. Ouvi, prestando atenção, com o coração feliz. A alegria que eu ainda estou sentindo é única: que bom que ele retornou para a nossa escola. Porque podemos ajudar, podemos acolher, podemos fazer algo por ele com significado. Com técnica, com apoio de toda a literatura e ciência, mas acima de todas as outras coisas, com amor.

Ao sair, não se despediu. E quando brinquei com ele, reclamando que estava saindo sem nem dizer tchau... voltou sorrindo e disse que apesar de não gostar, queria o abraço. E abraçou cada uma das professoras. Eu, a última a ser abraçada. Abraço meio torto, com protocolos (se é que isso existe).


Ao encontrá-lo novamente, ganhei outros abraços (quase atropelados). "Professora, sei que preciso seguir os protocolos, mas eu tenho necessidade de abraçar você. Me abraça?"



E fiquei ali pensando... como é bom ter algo/alguém para amar...




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Sonhos

 

(Maria Luiza Jobim, Vasconcellos, Caffarelli)



Vem pousar aqui
Faz o meu medo passar
Eu escuto seu som
O que mais pode haver além

Mais um dia vai terminar
Logo a gente vai se perder
Nesse sonho, filme, livro
Nem sei
Eu acordo do seu lado
Outra vez





quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Ontem




Borboleta branca, borboleta coral, flor do mato, rosa, amarela, lilás, calor, sol. Voam entre elas, para elas. Pousam sobre a flor, pairam no ar, flutuam cor, beijam a pétala, fogem. Desenham frases, sentenças, orações. Lábios descansam sorriso, olhos marejam saudade porque ainda não viram. Vento corta, chama o fim de tarde. Lua vem e embeleza; vigia silenciosamente no escuro o sono do arcanjo. A chuva torna as coisas mais bonitas. Imagem em par. Lágrima doce, sal da pele, sabor quase mar. Abraço longe, amor infinito, laço, tempo. Indiretamente, direto: És a canção mais bonita de todos os quereres... 




segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Escrevo

(Postagem do modo rascunho- 1)


Escrevo para dizer, para cantar

Para seguir caminhando

Para continuar existindo


Escrevo

Para chorar

Escrevo

Para sorrir

Escrevo

Para ouvir

Escrevo

Para abraçar


Escrevo 

Para girar ao som das palavras não ditas

Escrevo

Para quem me inspira, para o amor sem hora

Escrevo

Para aliviar as dores nesse mundo afora...


Escrevo

Para levar o amor para quem está longe

Escrevo

Sobre o sentimento que não tem nome


Escrevo

Em linhas azuis

Escrevo

Entrelinhas de sol


Escrevo

Para entregar o que transborda

Escrevo

Para que não morra nunca 

E que o palavrar eternize

Esse  amor que devora.