sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Eu quero ter um MILHÃO de amigo(s)...


Flor do cupuaçu*
                                                          

Hoje amanheceu aquele típico dia céu cinza cor de tragédia que minha mãe falava quando eu era criança. 
Você acorda com aquela sensação de céu cinza por dentro e por fora. Aí o dia vai se desenhando e você vê que ele não é tão feio quanto parecia ser. Mas foi bem feio no ano pasado.

Recebi a notícia ao sair da escola, no fim da tarde. Recebi sem querer, por acaso, mas foi melhor assim.
Uma amiga soube e não quis contar... eu havia falado sobre um sonho esquisito, sonho com um velório que eu não conseguia ver quem era. Outra amiga, sem saber que eu não sabia, comentou o que havia acontecido. Não acreditei, voltei para a escola. Perguntei para a outra amiga: ERA VERDADE. Passou um filme, claro. Dois, três, quatro. O atucanado, o milico. Meu enquadramento, meu quase desenquadramento se eu dependesse dos abonadores. Meu TCC enrolado sem desenrolador (orientador). Depoimentos (adiós, Orkut), puxão de orelha, brigas por causa do bom futebol, filha doente, filho doente, conversas sobre a rede, conversas sobre a escola, pesquisa, dúvidas, viagens, livros, políticas, sonhos, ideais, teorias, poesias, Chico, Vinícius,  taaaaaanta coisa!

Eu não acreditei, Procurei pessoas certas que saberiam. E souberam. Disseram aquilo que eu não queria ouvir.

Eu havia apagado uma parte dos emails no final de semana. Mas ainda bem que guardei outra parte. Minha caixa estava cheia, assim como o celular. Larissa e os sustinhos de setembro, mensagens de apoio para mãe e filha. A última mensagem no celular, eu guardei. Pedia notícias dela. Meu último email, escrito na noite do dia dois de outubro não foi respondido. Eu sabia que havia algo estranho. Aquele empate amargo e a sensação de que "hoje não vamos brigar, juiz não apelou" não foi sanada. 

Acredito que algumas pessoas não entendam o motivo pelo qual Emílio era tão querido, visto que seu modo peculiar de "amar gente" priorizava dizer a verdade (e algumas pessoas detestam a verdade). Acho que falta isso hoje em dia, coragem para se dizer certas verdades. Não confundir de forma alguma a verdade com excesso de sinceridade (falta de educação) ou espalhafatosisses do cotidiano. 

Não, não estou propondo a instituição de mais uma santo no calendário (será que já existe um São Emílio?). Não. Mas esse aí era (é) gente fina, puxa uma cadeira, pega mais um copo (o meu de água ou refri) e vamos prosear!

Me lembro do dia em que ele perguntou se eu pintava o cabelo. Coisa mais indiscreta. Na época eu brigava com as tintas, dos cabelos e da vida. Respondi que sim, e depois ganhei um apelido chato que não vou socializar, visto que eu era associada a uma bebida ruim que dava dor de cabeça. Isso só porque eu via semelhanças físicas do indivíduo com vários personagens importantes da nossa história: Castor de Andrade, Clodovil, até um suricate simpático! 

Agradeço a Deus pelas confusões do meu enquadramento na rede. Sem o caos do enquadramento, talvez ele não tivesse se aproximado. Até hoje não sei explicar, pois quando vi já havia uma mensagem do "amigo" na minha página do Orkut. Achei um barato, ninguém entendeu nada (era todo bloqueado). Foi assim...

Emílio me auxiliou muito nesse caso (assim como ajudou na rede municipal a torcida do Fogão, do Fluzão e as demais que não citarei no meu humilde blog). Era um Bota x Flu as postagens nas comunidades. Desvirtuávamos qualquer tópico. A política,  uma paixão.


Quando soube o nome dos seus pequenos, achei graça na concidência: o nome da menina dele seria o nome da minha Larissa, mas eu escolhi Larissa (e ponto). O nome do menino era o nome do meu menino no tempo que eu não sabia que seria mãe de menina.

E à mamãe dessas crianças,  somente aplausos...

Eu estava concluindo a segunda especialização, sem orientador, arrancando os cabelos. Pena que deletei o email explicativo. Grifos em vermelho, delicadamente me perguntavam "que bagunça era aquela, você tem dois capítulos truncados!" Reorganizei o trabalho e ficou muito bom. Não mostrei a ele a dedicatória, porque nessa época eu não havia migrado para o Face (como todo o planeta fez, menos eu e mais quinze pessoas). A política já estava tomando muito espaço e eu de longe, nesse período, falava pouco, apesar da constante presença virtual.


O dia três de outubro foi o "fim". O dia quatro de outubro foi gigantesco. Difícil. As pessoas reunidas ao redor das sementes plantadas durante toda a vida. 

Hoje estou aqui, somando esforços com outros que ainda não desistiram desse negócio complicado que nos fascina chamado "educação" . Como o "outro" disse (Marcelo Freixo), a forma de manter uma pessoa viva é continuar fazendo aquilo que essa pessoa fazia. Sementes, sempre presente. Emílio, sempre presente.

O velho milho, o velho amigo. Emílio Luiz Pedroso Araújo.






*http://come-se.blogspot.com.br/2011/10/frutos-marajoaras.html