Em tempo: Memórias.
Eu, aos 15-16 anos, me inscrevo no festival de poesia da escola. Estou assistindo o ensaio. O casal que apresenta o festival ensaia Gente Humilde. Cantam lindo, e eu, canto junto, na plateia, sentindo aquela alegria de estar em casa (minha escola), escrevendo e participando com a minha "poesinhazinha". Datilografando Gente Humilde, eternizo o momento. Não gosto da blusa, dos sapatos, quero escrever, porém, odeio declamar, assim, sempre visceral. Modifico a poesia em cima da hora para homenagear meu avô que havia partido recentemente. E tudo ficou mais lindo, por causa do amor. 1996.
E eu que creio peço a Deus por minha gente... que vontade de viver e sorrir muito mais!
Tiago Nacarato, cantando Gente Humilde. Já vi e ouvi de perto. Agora, com Cainã Cavalcanti. A língua mais bela de todas, com seus sotaques, variedades, vogais a menos e a mais, em uníssono na sua paixão. Salve!
Gente Humilde
(Chico Buarque/Garoto/Vinícius de Moraes)
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar