segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo

Brasil cria lei federal pelos direitos dos autistas


Escrito por Paiva Junior, editor-chefe da Revista Autismo   
Disponível em: http://www.revistaautismo.com.br/noticias/brasil-cria-lei-federal-pelos-direitos-dos-autistas







O dia 27 de dezembro de 2012 é um marco histórico na luta pelos direitos dos autistas no Brasil: nesta quinta-feira a presidente Dilma sancionou a lei 12.764, que cria a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo — com veto a três trechos —, publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, dia 28 (veja publicação da lei e das razões dos vetos), que está sendo chamada de "Lei Berenice Piana", em alusão a uma mãe que muito lutou e articulou pela criação de tal legislação (veja a história da lei, publicada na edição de a abril/2012 da Revista Autismo), que "nasceu" de uma proposta da população para a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.
A presidente vetou três trechos, um inciso (o IV, do artigo 2°), um parágrafo (o , do artigo 7°) e um artigo (o ), declarando: "Decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade, o Projeto de Lei no 168, de 2011 (no 1.631/11 na Câmara dos Deputados), que “Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990”. A decisão teve base, como de praxe, em manifestações de dois ministérios: Educação e Planejamento.
Os vetos ao parágrafo 2° e ao inciso IV foram sugeridos pelo Ministério da Educação para ressalvar possíveis equívocos que poderiam causar a exclusão da pessoa com autismo no sistema de ensino público ou privado: "Ao reconhecer a possibilidade de exclusão de estudantes com transtorno do espectro autista da rede regular de ensino, os dispositivos contrariam a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, internalizada no direito brasileiro com status de emenda constitucional. Ademais, as propostas não se coadunam com as diretrizes que orientam as ações do poder público em busca de um sistema educacional inclusivo, com atendimento educacional especializado nas formas complementar e suplementar.
O artigo 6°, sobre a concessão de horário especial a pais de autistas que sejam servidores públicos, foi vetado com base no argumento de que "ao alterar o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, a proposta viola o art. 61, § 1o, inciso II, alínea ‘c’, da Constituição Federal", do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Luta incansável

Além de Berenice Piana, do Rio de Janeiro (RJ), mãe de um garoto com autismo e que deu nome à lei, também é preciso destacar o trabalho de vários outros líderes deste movimento, pais e mães que, há muitos anos, vem lutando pelos direitos das pessoas com autismo, pode-se destacar toda a articulação do pai Ulisses da Costa Batista, do Rio de Janeiro (RJ), além do "corpo-a-corpo" com o Congresso Nacional feito pelo pai Fernando Cotta, de Brasília (DF), essenciais para tal aprovação. Muitos outros pais e mães fizeram parte desta luta, direta ou indiretamente, na mesma articulação ou não, no passado e no presente, alguns há décadas, concordando ou não em 100% com a lei proposta atual, contribuíram de alguma forma, como Claudia Moraes e Liê Ribeiro, ambas da Apadem de Volta Redonda (RJ), Adriana Cotta, do Movimento Orgulho Autista, de Brasília (DF), Argemiro Garcia e Alexandre Mapurunga, ambos da Abraça (Associação Brasileira para AÇão por direitos das pessoas com Autismo), Alexandre Costa e Silva e a médica Fátima Dourado, ambos da Casa da Esperança, instituição referência na área no país, de Fortaleza (CE), Marisa Furia, de São Paulo (SP), fundadora da AMA (Associação Amigos do Autista, de SP) e presidente da ABRA (Associação Brasileira de Autismo), Maurício Moreira, de Belo Horizonte (MG), e muitos outros, anônimos ou não, que mereceriam estar aqui citados. Assim como profissionais que apoiam a causa, como o neuropediatra José Salomão Schwatzman, de São Paulo (SP), o saudoso médico pesquisador Marcos Tomanik Mercadante, também da capital paulista, o psiquiatra da infância Walter Camargos Jr, de Belo Horizonte (MG), a defensora pública Renata Flores Tibyriçá, de São Paulo (SP), e inúmeros outros. Impossível citar todos. Entre os legisladores, é preciso destacar o empenho do senador Paulo Paim (RS) e da deputada federal Rosinha da Adefal (AL).

Tirar do papel

A lei federal do autismo — antes chamada de PLS 168 (quando estava no Senado) e de projeto 1631 (quando na Câmara) — entra em vigor no Brasil hoje, 28 de dezembro de 2012. A nova batalha das estimadas 2 milhões de famílias afetadas pelo autismo no país e dos que apoiam a causa será fazer com que a "Lei Berenice Piana" seja devidamente cumprida.
Está no papel, agora a missão é tirarmos de lá para colocarmos em prática.


sábado, 22 de setembro de 2012

Dia da Luta da Pessoa com Deficiência - 21 de setembro

Alegria, alegria! 



O dia amanheceu mais colorido! Hoje, dia 21 de setembro de 2012, Dia da Luta da Pessoa com Deficiência. Além de celebrarmos o dia com festa, lançamos a cartilha Acessibilidade Cidadã do município,  visando a melhoria/organização do espaço urbano, propondo a acessibilidade para todos. Este é um passo muito importante para nós, engajados e apaixonados por esta causa. 
O que tornou esse momento mais especial  foi a homenagem aos alunos que participaram do concurso de desenho Riscos e Rabiscos. Dentre os homenageados nosso aluno Manderson H. R. Silva. A produção do nosso Manderson foi escolhida para ilustrar a capa da cartilha do município! Sorrisos, lágrimas de alegria e aplausos!





Homenagem aos vencedores do concurso Riscos e Rabiscos



          
Banner Cartilha Acessibilidade Cidadã




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Prosa e cia I




"A esperança tem asas. Faz a alma voar. Canta a melodia mesmo sem saber a letra. E nunca desiste. Nunca."

(Emily Dickinson)


Nos últimos dias tenho vivido um turbilhão de emoções com meus pequenos da Sala de Recursos. Um sorriso, um abraço, uma palavra nova (seja falada ou escrita), um gesto de carinho. Histórias de vida que vão trazendo cores aos dias e que se misturam à nossa própria história.

Hoje foi  dia de relembrar, mexer na memória, revirar cadernos.

Me lembrei do dia em que  G. falou meu nome pela primeira vez. Foi em dezembro do ano passado. Faríamos nossa primeira foto juntos depois de seis meses de acompanhamento. Convidei a mãe para a fotografia, parceira e amiga neste processo e quando nos posicionamos ouvimos a tão sonhada  palavra: "Nanessa". O pequeno havia falado meu nome algumas vezes, poucas, mas não na minha presença. Eu já estava muito feliz por isso, mas naquela hora me senti realmente especial! Foi como ver minha filha aprendendo os primeiros passos, as primeiras palavras.

"A esperança tem asas!"

Hoje recebi o primeiro presente de M., inusitado, por sinal. Reparei sua agitação e alegria espontânea, mas não notei a bolsa embrulhada em papel de presente dentro de outras duas bolsas (!). Quando vi, perguntei e recebi como resposta: "Minha mãe deixou eu trazer para mostrar para você. Será que cabe algum documento nela?". Respondi que sim, que depois poderíamos guardar algo na bolsa, mas somente depois que terminássemos as tarefas que estavam atrasadas. Rapidamente tudo ficou pronto.
Na hora da saída a mãe de M. explica que a bolsa era um presente para mim.

"Canta a melodia mesmo sem saber a letra."


A vontade de "estar com" transpõe barreiras, abrindo oportunidades para aprendermos com aqueles que verdadeiramente são especiais. Pessoas que vivenciam  a  pedagogia do afeto. Eu chamaria de pedagogia do abraço, do carinho, do respeito ao próximo. Do cuidado com  outro. 

A intensidade faz parte dos meus dias. Daí surge a vontade de aprender mais e mais, de bater papo com quem tem idéias na cabeça e sonhos para compartilhar. 

A cada conquista, um novo desafio. A cada desafio, um novo passo. 

"E nunca desiste. Nunca!"

=)


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

I Simpósio sobre Autismo em 04-08-2012 (Editora WAK)


"Quando estamos envolvidos com algo que amamos, parece que nada nos importuna. Quando direcionamos os nossos afetos em temas que nos fascinam, não economizamos forças até conhecermos os caminhos que nos levam a respostas (...) sentimos que a nossa energia criativa e a nossa disposição para a execução das tarefas parecem ser eternas e inquebrantáveis."
                                                                                                                                       (Eugênio Cunha)


Essa citação (que não por acaso foi a epígrafe do meu TCC)  resume  tudo aquilo que o professor Eugênio Cunha propõe/compartilha em seus livros. Imagine a cena: Eugênio, o último convidado a se apresentar  no simpósio realizado pela Editora WAK, inicia sua palestra  retratando o primeiro contato com uma criança com autismo numa escola montessoriana.  Agachado ao chão, falava de sua experiência com a aluna. Pequenos gestos de amor, de cuidado para com a mesma . A platéia prestando atenção. Eu mais ainda. Fiquei ali na última fileira (quem anda correndo, atrasada e com filho a tiracolo sabe como é) ouvindo o que aquele ilustre palestrante falava e automaticamente lembrando dos  livros, da  fala pedagogicamente afetiva, do olhar apurado para o outro e tantas outras coisas que também fazem parte do meu pensamento (lúdico, assim posso dizer). 

A palestra foi intensa, interação constante, muitas risadas e no final, a surpresa: todos juntos cantamos a música Tocando em frente, de Almir Sater e Renato  Teixeira. Para quem não ligou o nome à pessoa (acontece nas melhores famílias), a música na íntegra aqui: http://letras.mus.br/almir-sater/44082/. Tenho o vídeo guardado em algum canto. Tão bem guardado que ainda não encontrei. 

Não esperava encontrar um Eugênio sério, polido. Quem escreve palavras com sonhos não pode economizar em  afeto.  Um ser humano que nos mostra que o amor aliado à prática pedagógica é instrumento transformador. Uma luz no fim do túnel, como costumam dizer. 


"Podemos dizer que todo conhecimento que vem pelo amor possui a excelência da perfeição. Acima de tudo, quem aprende e quem ensina precisa antes do amor (Eugênio Cunha)."


Precisamos de mais Eugênios por aí... 



:)




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Meninas da Educação Especial


Encontrei essa foto no blog da SEMDPDEF: Nossa equipe reunida no dia Mundial da Conscientização do Autismo (2 de abril) no Espaço Sylvio Monteiro. Eu lá no finalzinho da fila, sorriso no rosto.

"O Brasil precisa conhecer o autismo, Nova Iguaçu precisa conhecer o autismo."


"A inclusão escolar começa na alma de cada um, contagia seus sonhos e amplia seus ideais" (Eugênio Cunha).

=)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dia do Orgulho Autista - 18 de junho


Dia do Orgulho Autista-18 de junho


O Dia Mundial do Orgulho Autista surgiu a partir da iniciativa da organização americana Aspies for Freedom.
Segundo Fernando Cotta, pai de um filho autista e um dos organizadores do evento no Brasil, "Este dia é uma celebração da neurodiversidade dos indivíduos do espectro autista, para promover o conceito de que aqueles identificados como autistas não sofrem de um mal patológico, assim como quem tem a pele escura não sofre de uma doença de pele" .
O termo autismo origina-se do grego autós (de si mesmo) e compreende a observação de um conjunto de comportamentos agrupados em uma tríade principal:
  • comprometimentos na comunicação;
  • dificuldades na interação social;
  • atividades restritos repetitivas.


Diferenciando-se do autismo clássico, a Síndrome de Asperger é considerada por muitos como um autismo de alto funcionamento (às vezes chamadas de savants- sábios-). Na S.A. não ocorre deficiência intelectual, atraso cognitivo ou considerável prejuízo na linguagem. Um aspie, como se autodenominam, costuma desenvolver interesses em áreas específicas, modos de pensamentos complexos, rígidos e impermeáveis a novas idéias.


Características/hábitos de uma criança com autismo







  • Retrair-se e isolar-se das outras pessoas.
  • Não manter contato visual.
  • Resistir ao contato físico.
  • Resistência ao aprendizado.
  • Não demonstrar medo diante do perigo.
  • Agir como se fosse surda.
  • Birras.
  • Não aceitar mudanças de rotina.
  • Usar as pessoas para pegar objetos.
  • Hiperatividade física.
  • Agitação desordenada.
  • Calma excessiva.
  • Apego e manuseio não apropriado de objetos.


  • Movimentos circulares no corpo.
  • Sensibilidade a barulhos.
  • Estereotipias.
  • Ecolalias.
  • Não manifestar interesse por brincadeiras de faz-de-conta.
  • Apego aos centros de interesse.
  • Compulsão.


Perguntas que os pais/professores devem fazer: investigação do contexto do
comportamento inadequado e suas razões

  • Como surge o comportamento?
  • Onde ocorre?
  • Está relacionado ao ambiente ou algum objeto ou à pessoa?
  • É decorrente de algum estado emocional da criança? Qual?
  • O comportamento está relacionado a experiências sensoriais?
  • Está relacionado à quebra de rotina?
  • Está relacionado às frustrações, às ansiedades ou à alegria?





IMPORTANTE:


O PROFESSOR NÃO DEVE ESPERAR QUE UM ALUNO COM AUTISMO DIGA PARA ELE O QUE ESTÁ ACONTECENDO. O entendimento preciso dos contextos comportamentais demandará permanente vigilância, sensibilidade e perseverança do educador. E necessário olhar a pessoa como um ser integral na sua estrutura biológica, afetiva e social, respeitando a individualidade do aluno.


FONTES:


CUNHA, Eugênio. Autismo e inclusão: Psicopedagogia e práticas pedagógicas na escola e na família. 2ª ed. RJ: Wak Editora, 2010
Dia Mundial do Orgulho Autista
Acesso em 16 jun 2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Entrevista Ana M. Barbosa: "Cada beijo que ganho de um autista é um grande troféu."

Entrevista / Ana Beatriz Barbosa

 

| Débora Mismetti | FOLHA DE S.PAULO - CIÊNCIA+SAÚDE | 9 jun 2012 |

 

Um mundo fragmentado e difícil de decifrar é o que as crianças autistas enfrentam.

 

O transtorno de desenvolvimento, que atinge cerca de uma em cem crianças, é o tema do novo livro da psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva. Conhecida pela série de livros cujos nomes começam por "Mentes", "perigosas", "ansiosas", entre outros), ela lança agora "Mundo Singular", em parceria com o também psiquiatra Leandro Thadeu Reveles e a psicóloga Mayra Bonifacio Gaiato (Editora Fontanar, 296 págs., R$ 39,90). Com capítulos permeados por casos reais que passaram pela equipe da psiquiatra, o livro traz o didatismo de praxe nas obras de Ana Beatriz. Esclarecer o público quanto às grandes variações que existem dentro do espectro do autismo é um dos objetivos dela. "Essas crianças ainda são vistas como débeis mentais, como limitadas. Isso é um grande erro."

 

Folha - Qual é a reação dos pais ao saberem que o filho tem autismo?

 

Ana Beatriz Barbosa - É um momento de desespero, de luto, não por aquela criança que nasceu, mas pela que eles esperavam que ia nascer. É preciso ter cuidado com promessas de cura. O que podemos oferecer são estratégias com embasamento científico, viver juntos as tristezas e comemorar os avanços.

 

Como está a detecção do problema no país?

 

O diagnóstico no Brasil é pouco realizado. As crianças com autismo ainda são tidas como débeis mentais e ponto, com limites intelectuais e retardo mental mesmo. Isso é um grande erro. O autismo é um transtorno do desenvolvimento do sistema nervoso que traz uma gama de comportamentos diferenciados. Por isso falamos do espectro autista, que vai desde casos leves até os muito graves.

 

Como se define o transtorno biologicamente?

 

Essa criança nasce com um sistema nervoso central diferente, e essa diferença é na comunicação entre os neurônios, que é mais lenta e acontece menos. Por isso ela vê o mundo em partes, e não como algo global. Se você olha para o meu rosto, vê nariz, olhos, boca e já sabe: é a Bia. É muito rápido. O autista vê nariz, orelha e vai se prendendo nos detalhes. Isso causa dificuldades de socialização. Mas essas crianças têm muito afeto, diferentemente do que se pensa. Por muito tempo, o autismo foi chamado de psicopatia infantil, porque a dificuldade de socialização parece uma indiferença com o outro, e não é.

 

Quais as estratégias para melhorar esses relacionamentos?

 

O autista tem pensamento concreto, você precisa criar manuais para ele. É preciso treinar o cérebro para abrir conexões que ele não tem. A medicação é usada para que a criança fique menos hiperativa e mais atenta a esses ensinamentos. A maior descoberta na neurociência nos últimos 20 anos é a neuroplasticidade, a gente muda o cérebro de dentro para fora e de fora para dentro. Os autistas têm o sistema emocional funcionante. Mas levam um tempo maior para manifestar a emoção. E nos casos mais graves também há dificuldades de linguagem. Por isso é comum que crianças com graus mais severos de autismo usem as pessoas como instrumento: ela pega você e leva até a geladeira para pegar o que quer.

 

Por que muitos autistas são tão dependentes de rituais?

 

O mundo é um excesso de estímulos para eles. Se o autista domina algo, como o caminho da casa até a escola, isso é ótimo para ele. Se você mudar alguma coisa, causa desespero. Qualquer mudança deve ser negociada. Boa parte dos autistas é muito inteligente, muitos se alfabetizam sozinhos. Eles estudam e vão a fundo nos assuntos. E 10% são savants, têm uma ilha de conhecimento extraordinário cercada por um mundo de deficiências. São aquelas criaturas que tocam piano sem nunca ter tido aula, mas não conseguem trocar a roupa sozinhas. Um autista é incapaz de mentir e de entender ironias. Por isso eles gostam de bichos, porque eles têm poucas expressões muito simples.

 

Por que é tão importante detectar o problema cedo?

 

O diagnóstico feito até os três anos é um divisor entre uma vida funcional, que não vai ser perfeita, mas em que a pessoa vai poder se cuidar, ter uma articulação com as pessoas, e uma vida em que isso não acontece. Pediatras bem informados podem detectar o problema facilmente. Bebê que se incomoda em ser amamentado é um sinal, assim como demorar para falar, não olhar para os pais quando falam, andar na ponta dos pés se está nervoso, não olhar nos olhos. Tudo isso é muito precoce. Um investimento nos pediatras traria diagnóstico em 100% dos casos antes dos dois anos, o que seria revolucionário para o prognóstico das crianças. Os autistas são estrangeiros onde quer que estejam. Nosso mundo para eles é assustador. Mas nós podemos buscá-los. Quem trata esse tipo de alteração precisa gostar muito de gente. É preciso exercitar a solidariedade. E isso faz bem para todos. Para mim, faz. Cada beijo que ganho de um autista é um grande troféu.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

O que é a Síndrome de Asperger?


A Síndrome de Asperger é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), resultante de uma desordem genética, e que apresenta muitas semelhanças com relação ao autismo.
Ao contrário do que ocorre no autismo, contudo, crianças com Asperger não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem com comprometimento cognitivo grave. Esses alunos costumam escolher temas de interesse, que podem ser únicos por longos períodos de tempo - quando gostam do tema "dinossauros", por exemplo, falam repetidamente nesse assunto. Habilidades incomuns, como memorização de sequências matemáticas ou de mapas, são bastante presentes em pessoas com essa síndrome.
Na infância, essas crianças apresentam déficits no desenvolvimento motor e podem ter dificuldades para segurar o lápis para escrever. Estruturam seu pensamento de forma bastante concreta e não conseguem interpretar metáforas e ironias - o que interfere no processo de comunicação. Além disso, não sabem como usar os movimentos corporais e os gestos na comunicação não-verbal e se apegam a rituais, tendo dificuldades para realizar atividades que fogem à rotina.


Como lidar com a Síndrome de Asperger na escola?

As recomendações são semelhantes às do autismo. Respeite o tempo de aprendizagem do aluno e estimule a comunicação com os colegas. Converse com ele de maneira clara e objetiva e apresente as atividades visualmente, para evitar ruídos na compreensão do que deve ser feito.
Também é aconselhável explorar os temas de interesse do aluno para abordar novos assuntos, ligados às expectativas de aprendizagem. Se ele tem uma coleção de carrinhos, por exemplo, utilize-a para introduzir o sistema de numeração. Ações que escapam à rotina devem ser comunicadas antecipadamente.

Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/sindrome-asperger-625099.shtml



Nota: Cada pessoa guarda suas particularidades, portanto, respeite a singularidade de um aspie.

=)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Filmes sobre a S.A. e Autismo:

Adam
My name is Khan
Loucos de Amor
Rain Man
Mary e Max: Uma amizade diferente
After Thomas
Black Balloon
Temple Grandin
Muito além do jardim
I am Sam


domingo, 29 de abril de 2012

E aí, Nova Iguaçu?



DANIEL AZULAY. Tem gente que gosta. Tem gente que não gosta. Tem gente que nem lembra. Eu lembro e me emociono, pois traz a recordação de uma infância muito boa, a minha infância. No auge dos anos 80, programas educativos eram comuns na rotina da criançada, paralelo às brincadeiras ingênuas que hoje os pequenos desconhecem (a maioria). Eu me lembro do meu fascínio por programas como Mãos Mágicas na antiga TVE (canal 2), que estimulavam o pensamento criativo e habilidade com a tesoura, cola, papel e sucata. Mas não parava por aí: eu ainda tinha o Sítio do PicaPau amarelo- versão antiga, claro, com o André Valli no papel de Visconde, Zilka Salaberry como Dona Benta, Jacira Sampaio e os bolinhos da tia Anastácia, Reny de Oliveira e sua Emília marrenta. E o Canta Conto? As músicas, as histórias cantadas, a interpretação afetiva e alegre sempre impecável de Bia Bedran. Enfim... tempos bons aqueles. Daniel Azulay fazia parte deste enredo com sua turma do Lambe Lambe. "Olá, amiguinhos!" Bem, eu tentava acompanhar os desenhos do Azulay, mas, hehe, nem preciso dizer, né? Ficou a saudade... Saudade?

Ano passado, por volta do mês de junho, participei de uma formação continuada no meu município. Foram três encontros, adivinhem com quem? Com o Daniel Azulay, claro. Nossa, eu fiquei muito emocionada, não "tiete", mas sim encantada com as atividades propostas na formação que nos levavam o tempo todo ao universo infantil. A proposta não era formar desenhistas em apenas três encontros, mas sim valorizar essa "criatividade espontânea" em nossa prática pedagógica. Com algumas noções e dicas do Daniel, criamos nossas artes, assistimos trechos de episódios antigos e rimos, rimos muito. No último dia, produzimos  máscaras a partir de material cirúrgico (se me autorizarem, eu posto as fotos, a modelo pode fazer algumas exigências, rs) e um mimo que ficou uma gracinha, com biscuit. Simples assim? Pois é. Mas como sempre digo, as coisas simples me fascinam.
  
No último dia do encontro  tive uma passagem engraçada, quando entrei no elevador e esbarrei com ele. Cumprimentei-o, obviamente. Mas vontade era de perguntar pela Chicória e toda turma. Não abri a boca, rs.


Comprei o livro do Daniel de atividades com sucata e o cd (autografado). Guardei com carinho a lembrança de um carinha muito legal que me fez muito feliz durante muitos anos de minha vida. No finalzinho, conversei com ele sobre a descaracterização da infância,  a importância de minha mãe na minha formação e no meu papel como mãe de uma pequena nascida nos tempos de escassez cultural no universo infantil. Ele ficou bastante empolgado quando eu contei sobre minhas peripécias no garimpo de material dos anos 80. Bem me lembro da Larissa aos três aninhos gritando "olha o Chico" toda feliz numa loja de cds (o Chico, nada mais nada menos que o Chico Buarque). Bravo, bravo!

Quando Daniel assoviou, no final do encontro, como  fazia no programa, chorei horrores, :)!

Encontrei esta foto  no computador, no meio de tantas outras. Tanto pra escrever e sem tempo. Mas eu tinha que compartilhar um pouquinho daquilo que acho que é bom. 

Algodão doce pra você!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Eu e o outro: nós

"Todo conhecimento começa com o sonho.
O sonho nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina, brota das profundezas do corpo, como a alegria brota das profundezas da terra. Como mestre só posso então lhe dizer uma coisa. Contem-me os seus sonhos para que sonhemos juntos" (Rubem Alves).


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dia mundial da Conscientização do Autismo- Palestras

Rita Thompson e o Projeto Pêlo Próximo no Dia Mundial da Conscientização do Autismo,  2 de abril- Espaço Sylvio Monteiro, Nova Iguaçu.




Dia Mundial da Conscientização do Autismo

 

 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/04/cristo-fica-azul-para-o-dia-mundial-da-conscientizacao-do-autismo.html_

Foto: Celso Pupo/Foto Arena/AE) 

 

Um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor vai ganhar uma iluminação especial no início da noite desta segunda-feira (2) em tons de azul, para marcar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas). A iniciativa tem o objetivo de chamar a atenção sobre a necessidade do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

Além do monumento carioca, serão iluminados em azul o Teatro Amazonas, em Manaus; o Congresso Nacional, em Brasília; o Empire State Building, em Nova York (Estados Unidos) e o Big Ben, em Londres (Inglaterra).

 

Fonte: http://noticias.r7.com/saude/noticias/brasil-participa-do-dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo-20120402.html

Borboleta Aspie

Borboleta Aspie

Minha "correria" cotidiana ainda não me libertou  suficientemente para que eu esteja (escrevendo) aqui com frequência. Durante o ano de 2011 foram tantos cursos, tantos trabalhos, formações, palestras... durante a produção do TCC da especialização em AEE pensei que não fosse conseguir "dar conta"! Enfim... tanta coisa aconteceu e eu quase não consegui estar aqui no blog. Esse ano, apesar da aparente tranquilidade realizei mais um pedacinho daquilo que tenho sonhado como percurso profissional e pessoal, a especialização em Transtornos Globais do Desenvolvimento  e creio (acho, rs) que neste momento "estou" aprendendo a ser uma Vanessa mais colorida.
Mais colorida, Vanessa? 
Sim (eu respondo): São as "muitas Nessas"...

Corremos tanto, pensamos tanto e muita vezes nos detemos no primeiro passo; nossas consquistas exigem dedicação, paciência, responsabilidade.

Como eu esperei por esse momento!

Minha paixão pelo autismo desperta em mim um sentimento imensurável... somos construídos por nossos atos, planos, sonhos, também por nossas frustrações. Pelos sorrisos e lágrimas. Mas não há nada mais bonito do que a importância dos pequenos gestos na vida das pessoas que amamos. E para tal, precisamos fazer a diferença, SEMPRE. Transpor  o impossível é o meu projeto de vida.

Que tal um sorriso e um abraço? Estou feliz!
:)


sábado, 31 de março de 2012

Boa notícias: comemorações e ações efetivas- Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Geralmente, nas conversas "por aí" , costumo dizer (defendo com unhas e dentes) que estamos avançando, mas admito que é ainda é pouco, pensando na realidade de nosso município. Porém desta vez foi diferente. Enquanto conferia hora e data da palestra do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, realizada no Espaço Sylvio Monteiro, em Nova Iguaçu, li a seguinte notícia: FINALMENTE Nova Iguaçu oferecerá  atendimento e tratamento gratuito, adequado e DIGNO para pessoas com Autismo. Isso não é avanço? SIM, é um grande passo!

Não faço deste meu pequeno Borboleta Aspie um espaço político (e vejam, bem que tentaram, hehe). Mas  dessa vez devo admitir que Nova Iguaçu me encheu de orgulho...



quinta-feira, 15 de março de 2012

"Todas as cores do arco-íris superpostas formam o branco: só a integração de todos com suas diferenças é que pode criar harmonia" (Rose Marie Muraro).

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Interessante!

VERGONHA!

Vale a pena ler:

VETO DO GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL PREJUDICA CRIANÇAS AUTISTAS DO RIO DE JANEIRO

http://celprpaul.blogspot.com/2012/01/veto-do-governador-sergio-cabral.html

Projeto   de  lei    689/11  que  cria  no estado  os Centros de Reabilitação  Integral voltados para  menores com Deficiência Intelectual e Autismo  

http://www.xandrinho.com/joomla/noticias/25-jornal-alerj/240-estado-tera-centros-de-atendimento-para-menores-autistas