quarta-feira, 13 de novembro de 2024

E Nacarato cantando Vininha

Em tempo: Memórias. 

Eu, aos 15-16 anos, me inscrevo no festival de poesia da escola. Estou assistindo o ensaio. O casal que apresenta o festival ensaia Gente Humilde. Cantam lindo, e eu, canto junto, na plateia, sentindo aquela alegria de estar em casa (minha escola),  escrevendo e participando com a minha "poesinhazinha". Datilografando Gente Humilde, eternizo o momento. Não gosto da blusa, dos sapatos, quero escrever, porém, odeio declamar, assim, sempre visceral. Modifico a poesia em cima da hora para homenagear meu avô que havia partido recentemente. E tudo ficou mais lindo, por causa do amor. 1996. 

E eu que creio peço a Deus por minha gente... que vontade de viver e sorrir muito mais!



Tiago Nacarato, cantando Gente Humilde. Já vi e ouvi de perto. Agora, com Cainã Cavalcanti. A língua mais bela de todas, com seus sotaques, variedades, vogais a menos e a mais, em uníssono na sua paixão. Salve!


Gente Humilde

(Chico Buarque/Garoto/Vinícius de Moraes)


Tem certos dias em que eu penso em minha gente

E sinto assim todo o meu peito se apertar

Porque parece que acontece de repente

Como um desejo de eu viver sem me notar


Igual a como quando eu passo no subúrbio

Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar

E aí me dá uma inveja dessa gente

Que vai em frente sem nem ter com quem contar


São casas simples com cadeiras na calçada

E na fachada escrito em cima que é um lar

Pela varanda, flores tristes e baldias

Como a alegria que não tem onde encostar


E aí me dá uma tristeza no meu peito

Feito um despeito de eu não ter como lutar

E eu que não creio, peço a Deus por minha gente

É gente humilde, que vontade de chorar



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