quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ao amigo Emílio Luiz Pedroso Araújo



A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida (Vinícius de Moraes).





Dignidade: cada um tem aquilo que sua história constrói (Marcelo Freixo).


Eu poderia  escrever somente uma música, uma poesia, um verso, algo que representasse o que sinto agora. Poderia reproduzir aqui várias conversas engraçadas e outras muito formais, mensagens daquelas que sem querer param na lixeira da conta de email e você descobre muito, muito tempo depois e chora e ri ao mesmo tempo. Poderia escrever horas e horas sobre os fóruns do antigo Orkut: professores fortalecendo laços através das redes sociais, as sessões de terapia online... Muitas gargalhadas, uma sala de bate papo com direito à enquete e tudo! As apostas! Quando cai o pagamento? Quando sai o enquadramento? Poderia também falar da dor que fica, da saudade que aperta a garganta e o peito. Do choro que explode quando você recebe uma notícia e não acredita, ou não quer acreditar. Eu não sei lidar com isso. Perdas são muito dolorosas, todas elas. Ainda sou apaixonada por "gente", e cuido daqueles que amo. Os amigos queridos que tenho, talvez não muitos, estão guardados e protegidos num lugar muito especial. É visceral, por inteiro.

Sem palavras. 
Mas me esforço para escrever.

Fica a certeza que a educação perde um apaixonado que plantou belas sementes! Fica a certeza que o Clássico Vovô-Fluminense e Botafogo- será muito triste por um tempo que eu não consigo dimensionar. Para ser mais cruel, ontem Flu e Botafogo jogaram -e empataram. Não chegou nenhum email me xingando por conta do apito amigo, achei estranho. "Timeco de estrelas, frufru, Unimed Futebol Club",  as ofensas mais infames registradas em alguns anos de emails que me arrancavam os "parcos neurônios". Nem sempre esses emails eram tão bem vindos assim, é verdade. Mas também faziam pensar, quando falavam das paixões (educação, família-os "pequenos" filhotes-, Casillero, política, o Glorioso, Neruda, cupuaçu).

Brincava com as cores, brigava com a certeza que sairia vencedor. Poucas vezes travei lutas com ele, pois eu já entrava na briga com muitos pontos a menos...

Não consigo escrever mais...
Para quem não compreende a saudade que fica, pense numa pessoa ENORME num corpo de 1.60 que não cabia tanta inteligência, a disponibilidade para ajudar os outros e amor por um ideal. Um cara insuportavelmente simples! Emílio Araújo. Para ele, para os seus e para aqueles que o admiram, mesmo que não presente fisicamente, aplausos!

A você, amigo, parte do email  que  enviei ontem e infelizmente não terei resposta.

“Vc deve estar envolvido nisso tudo, pq sei que vc ama tudo isso. VC é ISSO tudo.
Cuida dessa gente toda, mas também de você. Beijo, sempre.“



Emílio Araújo, presente!

Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo
adeus.

Pablo Neruda



"Te cuida."

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