sábado, 22 de maio de 2021

Foi por causa do Rubel (eu sei que é Rúbel, não Rubél)


Os afins tomaram conta dos dias da pandemia. Poesia também. 


Depois que o home office trouxe o trabalho para dentro de nós, invadindo  as horas, os dias viram noite, que viram dia, que viram noite. E se você não cuidar, as horas se tornam improdutivas; a ansiedade consome de forma agressiva o processo criativo e a parte principal da engrenagem que faz mover essa modalidade de trabalho: a pessoa. 

O trabalho, o emprego, geram renda, que consequentemente proporciona o alimento para o corpo. Independente de oportunizar satisfação ou não, é um meio de subsistência. A arte proporciona a paga para a alma, o alimento para o coração. E a poesia, velha amiga e companheira, unida a música  faz companhia. Ajuda a passar o tempo, a curar dores,  casquinha no joelho sai no mês que vem (Rubel).

Para mim, o achado na quarentena.  Conheci  Rubel na trilha da novela Éramos Seis (que é baseada no romance de Maria José Dupré). Fui procurar. Tive aquela sensação de "não te conheço, mas já gostei de ti". Partilhar veio em seguida, não conhecia. Outra epifania. 

A porta estava aberta para Pearl e Casas. Uma de cada vez. E tem que ouvir as músicas com o que eu chamo de interlúdio (aqueles trechinhos que introduzem, que alegram, que anunciam). Cachorro, Casquinha, Pinguim, Sapato, Batuque, Mantra, Explodir, Fogueira, Partilhar, Quando bate aquela saudade, Ben, Máscaras. Todas tão minhas que até faz  bater  aquela vontade de escrever para o Rubel e falar, "Oi,  menino! Você conseguiu o queria: alcançar diferentes  classes, idades, gêneros... to aqui".

A melodia doce, um violão, os instrumentos que cortam como as palavras, o sentimento, que é genuíno, pois as letras falam daquilo que não podemos fugir, de viver. Porque a vida só se dá pra quem se deu. E viver é melhor que ser feliz. 

Vejo Vinícius (o de Moraes) no Rubel. Vejo e ouço. Mas vejo tantos outros no Rubel e o principal, a identidade, ele próprio. Acho (mas só acho) que Rubel me faz sair pela primeira vez da zona de conforto, a playlist de uma vida para  aquilo que chamam de "a nova MPB" e que humildemente para mim é simplesmente MPB, ou melhor, música que gosto de ouvir enquanto estou vivendo; as noites viram dia, que viram noite, que viram dias de reflexão sobre as cores  e  como tenho dito nas conversas,  é o melhor tempero, o agridoce para a vida. 


"Só não esquece do olhar de criança
Não esquece de lembrar da lembrança
Não esquece de ser dura e forte
Não esquece de olhar pra Marte
Não esquece de fazer tua arte
Não esquece de esquecer
O que tem que se esquecer"
                                       (Rubel)


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