domingo, 4 de julho de 2021

O Que Se Quer


Vá

Pode falar
Pode escrever
Eu vou me entregar
No meu lugar
Quem não faria
Diz que é loucura
Diz que é besteira
Mas eu não vou ligar
Não tente entender


(Marisa Monte e Rodrigo Amarante/O Que Se Quer)



Bora palavrar...

Nas conversas por aí, voltei a refletir sobre o modo de ouvir de cada um, a interpretação/entendimento que se tem sobre a palavra. O que eu digo, pode ser não ser o que você ouve; o que você diz, pode estar chegando ao meu entendimento de outra (s) forma (s). O que pode ser caminho, pode ser promessa, pode ser um obstáculo, um meio e também pode ser um final.

Em outras conversas por aí, novamente o ponto "eu digo, você não ouve", ou vice-versa.  Ou eu acho que digo. Ou ainda, eu não quero dizer, porque me magoo e o outro. Ou porque simplesmente não quero falar. 

E aí, as palavras se tornam via de sofrimento; logo elas, que ao meu ver, deveriam ser caminhos. Palavras que libertam. 

Continuo lendo/estudando sobre  Psicanálise, porém, não com a intensidade de antes. Acompanho um canal  sobre comportamento e todo esse universo complexo, passando também pela Psicanálise. Logo após a minha fala "por aí" sobre os conflitos em relação às trocas, houve uma postagem de um vídeo sobre o assunto. O graduando expôs exatamente o que eu digo sobre os conflitos. O percurso até a pessoa a se fechar, criar "gatilhos", tanto no ouvir quanto no falar.

Fiz um breve comentário sobre o meu olhar sobre tudo isso. Falar também é cansativo, nos expõe.. Você diz e está ali, inteiro. E apesar de acharmos que temos o domínio de todos os conflitos, podemos cair diante do novo, ou ainda, pela falta de delicadeza ou cuidado ao transmitir a mensagem.  É preciso prestar atenção nos detalhes. Porém, são tantos... você pode se perder.

Em tempo: perder-se também é caminho.

Ainda assim, creio que o mais importante seja falar. Problemas se resolvem  quando as pessoas falam. 
Saber ouvir, ponderar. O que também é processo. 


Para fechar o combo da semana da autoterapia nas madrugadas pós relatórios (vazias de afins), encontrei um filmezinho de 2013 que conta a história de dois professores (de Artes e Literatura) que discutem a relevância da imagem e da palavra. A linguagem escrita e a visual. 

E eu que me apaixono pelos diversos "nós", parei para pensar no tanto que a imagem fala, do quanto a palavra abraça e do modo que eu preciso das duas.


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